
Em um período de 14 anos, o Brasil registrou uma queda de 19,5% no número de mortes no trânsito causadas pelo consumo de álcool. Apesar da redução, o problema ainda é alarmante, com homens jovens sendo o principal perfil de risco afetado, segundo dados da Cisa (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool). A coordenadora da Cisa, Mariana Thibes, lamenta que a percepção de impunidade em relação à lei seca ainda prevaleça na população.
Desafios na fiscalização e prevenção
Para combater essa realidade, Thibes defende a intensificação das ações de fiscalização, o acesso a atendimento de emergência e campanhas de prevenção direcionadas, especialmente ao público masculino, que é o que mais morre no trânsito. De acordo com a Cisa, a partir de 2019, o uso de álcool foi responsável por 36,6% das ocorrências no trânsito entre homens e 26,3% entre mulheres.
A fiscalização, no entanto, enfrenta limitações, como o número de operações com bafômetros e o aumento da frota e de acidentes envolvendo motocicletas. Os dados indicam que a maioria das infrações ocorre nos finais de semana e durante a madrugada.
Campanhas mais eficazes e alternativas de transporte
A especialista recomenda que as campanhas de conscientização para não beber e dirigir se tornem mais estratégicas, indo além dos anúncios de “choque”. Mensagens baseadas apenas no medo tendem a ter um efeito de curto prazo, sem mudar o comportamento de forma sustentada.
O que funcionaria seria combinar educação, esclarecimento e a percepção de risco real. “A pessoa precisa acreditar que vai ser fiscalizada e que vai ser punida”, ressalta Thibes. Promover a cultura de alternativas viáveis, como transporte noturno acessível e aplicativos de carona, também é fundamental.
Estados com maiores taxas e fatores estruturais
Em relação às mortes por 100 mil habitantes, 18 estados apresentaram taxas superiores à média nacional (6,2). Tocantins lidera com 13,4, seguido por Piauí (12,1) e Mato Grosso (11,1). Para Thibes, estados com taxas mais altas podem ter questões estruturais envolvidas, como rodovias mais perigosas, menor fiscalização e acesso limitado a serviços de emergência.
Ela também aponta que o hábito de beber e dirigir pode variar entre os estados, exigindo investigações mais aprofundadas e respostas adaptadas do poder público.
Com informações da Agência Brasil








