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sexta-feira, 19 de junho de 2026
Saúde Caso de sarampo em bebê acende alerta sobre cobertura vacinal no Brasil

Caso de sarampo em bebê acende alerta sobre cobertura vacinal no Brasil

Um caso confirmado de sarampo em um bebê em São Paulo, que viajou com a família para a Bolívia em janeiro, onde o país vizinho enfrenta um surto da doença, acendeu um alerta sobre a importância da alta cobertura vacinal no Brasil. A imunização em massa é a principal barreira contra a circulação do vírus e a prevenção de surtos, mesmo com a importação de casos.

Cobertura vacinal abaixo do ideal

No ano passado, o Brasil registrou que 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo. No entanto, apenas 77,9% completaram o esquema vacinal na idade correta, um índice considerado insuficiente para garantir a imunidade coletiva.

Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), ressalta a alta transmissibilidade do sarampo, especialmente entre não vacinados. “Basta ficar aqui, com tanta gente vindo de outros países onde há surto, que o risco é o mesmo”, afirma.

Proteção e recomendação da vacina

A vacina garante proteção para toda a vida. Para crianças e adultos sem comprovante de vacinação, a recomendação é: dos 5 aos 29 anos, são necessárias duas doses com intervalo de um mês; dos 30 aos 59 anos, apenas uma dose. Gestantes e imunocomprometidos não devem tomar a vacina.

O caso na bebê paulista foi o primeiro registro da doença no país em 2024. No ano passado, 38 infecções foram confirmadas, a maioria de origem importada. Apesar disso, o Brasil mantém o certificado de área livre da doença, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde em 2024, pois não há transmissão sustentada no território nacional. Contudo, o país já havia perdido esse certificado em 2019 após surtos iniciados por casos importados.

Alerta nas Américas

O continente americano vive uma situação preocupante com o sarampo. Em 2023, foram registrados 14.891 casos em 14 países, com 29 mortes. Já em 2024, até 5 de março, foram confirmadas 7.145 infecções, quase metade do total do ano anterior em apenas dois meses. México, Estados Unidos e Guatemala são os países mais afetados.

Kfouri enfatiza que a maioria dos casos ocorre em pessoas não vacinadas, principalmente crianças menores de 1 ano. Ele alerta que o sarampo não é uma doença inofensiva da infância, podendo causar óbitos e complicações graves como pneumonia e encefalite.

Os sintomas incluem manchas vermelhas, febre alta, tosse, coriza e irritação nos olhos. Além disso, a infecção pelo sarampo pode suprimir o sistema imunológico por até seis meses, aumentando a vulnerabilidade a outras infecções.

Com informações da Agência Brasil