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Fundador da Reag nega vínculo com PCC em depoimento à CPI do Crime

O fundador e ex-presidente da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, negou veementemente qualquer ligação de sua empresa com o Primeiro Comando da Capital (PCC) durante depoimento à CPI do Crime. A Reag, que administrava R$ 300 bilhões em 700 fundos, é suspeita de ter criado empresas de fachada para o esquema do banqueiro Daniel Vorcaro.

Inicialmente, Mansur declarou que se manteria em silêncio, um direito garantido a investigados. No entanto, após apelos do presidente da CPI, ele decidiu comentar o caso. Segundo o empresário, a Reag sempre foi auditada por empresas internacionais e mantinha todas as estruturas de governança de uma companhia de capital aberto, com dados públicos.

Penalização pela independência

Mansur lamentou o que considera uma penalização pela grandeza e independência da Reag no mercado. “Acho que a gente acabou sendo penalizado por ser grande e independente. Nosso mercado penaliza o independente”, declarou.

O investigado admitiu que o Banco Master, de Daniel Vorcaro, era um dos clientes da Reag. “Não éramos, nunca fomos empresa de fachada, não temos investidores ocultos. É um partnership, ou seja, vários sócios, várias pessoas”, completou.

Operação Carbono Oculto e Faria Lima

A convocação de Mansur ocorreu no contexto da operação “Carbono Oculto”, que mira o braço financeiro do PCC na Faria Lima e “A Turma” de Daniel Vorcaro. O presidente da CPI, Fabiano Contarato, destacou que 42 dos 350 alvos da operação possuem escritórios na Avenida Faria Lima, evidenciando uma “verdadeira indústria de lavagem de dinheiro no coração do sistema financeiro nacional”.

Contarato informou que fundos da Reag teriam sido usados para movimentar cerca de R$ 250 milhões do PCC e que o Banco Central indicou que a companhia ocultou beneficiários de R$ 11 bilhões desviados do mercado financeiro.

Relator lamenta recusa em responder

O relator da CPI, Alessandro Vieira, expressou lamento pela recusa de Mansur em responder a questionamentos específicos, limitando-se a comentários gerais sobre a Reag. “São vários questionamentos que não são, a priori, autoincriminatórios, a não ser que a gente compreenda que absolutamente toda a atividade exercida por vossa excelência, ao longo da carreira, seja criminosa”, provocou o relator.

Com informações da Agência Brasil