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CPI da Meta: Big tech é questionada sobre lucros com crimes e exploração infantil

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga crimes cibernéticos questionou nesta terça-feira (26) a Meta, empresa dona do Facebook e Instagram, sobre seus lucros decorrentes de atividades ilícitas em suas plataformas e sua capacidade de combater a exploração sexual de crianças e adolescentes. A diretora de política econômica para América Latina da Meta, Yara Alves, foi a representante da companhia na oitiva.

Meta sob pressão na CPI

Yara Alves defendeu a atuação da empresa, afirmando que a confiança nas plataformas é fundamental para o sucesso dos negócios e que o objetivo é proteger usuários e empresas contra práticas enganosas. Ela concluiu sua fala dizendo: “Nosso objetivo é proteger usuários e empresas contra práticas enganosas”.

Documentos vazados e golpes

O senador Alessandro Vieira apresentou uma notícia da agência Reuters, de dezembro de 2025, que sugere a existência de documentos internos da Meta orientando gestores a evitar a regulação estatal que visa combater anúncios de golpes na internet. Em resposta, Yara Alves negou o conhecimento de tais documentos: “Trabalho com esse tema dentro da empresa há mais de dois anos e meio, nunca vi nenhum documento, e não me lembro de ter visto nenhum documento que trouxesse esse tipo de interesse ou de abordagem”.

Exploração sexual de crianças e adolescentes em pauta

A capacidade da Meta em detectar e impedir a divulgação de imagens de abuso sexual de crianças e adolescentes foi outro ponto central do questionamento. O relator da CPI citou um relatório da ONG Human Trafficking Institute de 2020, que apontava o Facebook como a plataforma mais utilizada por traficantes sexuais para aliciar e recrutar crianças, com 65% dos casos ocorrendo através da rede social. A diretora Yara Alves não soube responder com precisão se as ferramentas da empresa são suficientes para impedir a transferência de fotos de pornografia infantil.

“Não sei explicar para o senhor se as nossas ferramentas de detecção proativa, a partir de metadados, etc., são suficientes para impedir a transferência de fotos, como o senhor falou especificamente, mas quero colocar aqui o time da Meta à disposição desta Comissão”, declarou Alves.

Apesar da incerteza sobre a capacidade de detecção, a chefe da Meta ressaltou que o combate à exploração sexual de crianças e adolescentes é uma prioridade para a multinacional, que tem implementado medidas de controle parental para contas de adolescentes. “O tema de crianças e adolescentes dentro da Meta é um tema de altíssima prioridade e conta com diversos times dedicados na área de produto, na área de compliance, na área de jurídico, política pública, operações”, afirmou.

Perguntas sem respostas e nova convocação

A diretora da Meta também demonstrou desconhecimento sobre questões específicas levantadas pelos senadores, como os limites da criptografia e o uso de algoritmos para favorecer determinados conteúdos políticos. Diante da falta de respostas precisas, o relator da CPI solicitou a convocação do diretor-geral da Meta no Brasil, Conrado Leister, para prestar novamente esclarecimentos. “A empresa informou, ao pedir a substituição do diretor-geral por vossa excelência, que a senhora teria condições de atender perfeitamente [a CPI]. Novamente, em benefício desse princípio de boa-fé, que é tão bom nas relações, vamos entender que foi um erro de avaliação e vamos reiterar a convocação do diretor-geral”, disse o relator.

Com informações da Agência Brasil

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