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quarta-feira, 15 de abril de 2026
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Juros para famílias disparam e chegam a 60,1% ao ano em 2025, puxados pelo crédito livre

As taxas de juros cobradas de famílias brasileiras atingiram um patamar elevado de 60,1% ao ano em 2025, segundo dados recentes. Esse aumento expressivo é impulsionado principalmente pelas modalidades de crédito livre, onde as instituições financeiras possuem maior autonomia para definir as taxas. Dentre as maiores altas, destacam-se o crédito parcelado do cartão, que saltou para 189% ao ano, e o crédito pessoal não consignado, que alcançou 116,8% ao ano.

Em contrapartida, o crédito direcionado, cujas regras são definidas pelo governo e destinadas a setores como habitação e agricultura, apresentou taxas mais acessíveis, com 11,2% ao ano para pessoas físicas. Para empresas, a taxa média de juros no crédito livre ficou em 25% ao ano, com destaque para o capital de giro e o cheque especial, cujas taxas chegaram a 50,3% e 355,7% ao ano, respectivamente.

Juros em alta refletem política monetária

A escalada dos juros bancários acompanha o ciclo de elevação da taxa básica de juros da economia, a Selic, que atingiu 15% ao ano. O Banco Central utiliza a Selic como principal ferramenta para controlar a inflação, buscando esfriar a demanda e estimular a poupança com taxas de juros mais altas.

O spread bancário, que mede a diferença entre o custo de captação dos recursos pelos bancos e as taxas cobradas dos clientes, aumentou 3,9 pontos percentuais em 2025, chegando a 21,4%. Essa margem cobre custos operacionais, riscos de inadimplência e impostos, além de gerar lucro para as instituições financeiras.

Desaceleração no crescimento do crédito

Apesar da alta nos juros, as concessões de crédito em 2025 totalizaram R$ 786,4 bilhões, um aumento de 9,1% em relação ao ano anterior. Contudo, observa-se uma desaceleração no ritmo de crescimento, comparado aos 15,5% registrados em 2024. O estoque total de empréstimos concedidos pelos bancos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) atingiu R$ 7,122 trilhões, com crescimento de 10,2% em 2025, também inferior ao de 2024.

A desaceleração no crédito ocorreu tanto para pessoas jurídicas quanto para pessoas físicas. As carteiras de crédito para empresas e famílias fecharam 2024 com saldos de R$ 2,699 trilhões e R$ 4,423 trilhões, respectivamente.

Inadimplência e endividamento das famílias em elevação

O cenário de juros altos e crescimento econômico mais moderado reflete em indicadores de endividamento e inadimplência. A inadimplência geral, com atrasos acima de 90 dias, alcançou 4,1% em dezembro de 2025, um aumento de 1,1 ponto percentual em relação ao final de 2024. No segmento de crédito para famílias, a inadimplência subiu para 5%, um acréscimo de 1,5 ponto percentual no ano.

O endividamento das famílias, que representa a relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses, ficou em 49,8% em novembro. Já o comprometimento da renda, que mede a relação entre o valor médio das dívidas e a renda média, atingiu 29,3% no mesmo período, com um aumento de 2,2 pontos percentuais em 12 meses.

Com informações da Agência Brasil