
Trabalhadores denunciam que as obras de reforma no Hospital do Servidor Público Municipal (HSPM), em São Paulo, estão sendo realizadas sem o planejamento adequado, gerando riscos de contaminação e afetando o atendimento. O Sindicato dos Trabalhadores em Serviço Público do Município de São Paulo (Sindsep) aponta que a intervenção em áreas críticas, como o centro cirúrgico, está sendo feita de forma precária, com barreiras improvisadas e sem controle de poeira.
Riscos de contaminação e infecção
Um dos principais receios levantados pelo Sindsep é a contaminação pelo pó gerado na obra. Esse resíduo fino pode causar problemas respiratórios e aumentar o risco de infecções, especialmente em um ambiente hospitalar. O sindicato destaca que fungos como o Aspergillus, presentes no ambiente, podem se proliferar com a poeira e causar aspergilose, uma infecção grave que pode ser fatal em pacientes imunocomprometidos.
Flávia Anunciação, representante dos trabalhadores, criticou a falta de medidas de segurança, como o uso de materiais adequados para conter o pó e o ruído. “Em hospital privado, quando você olha o plano de contingência para obras, você vê o deslocamento de um setor para um determinado espaço, então você reforma e só depois retorna”, disse em entrevista à Agência Brasil. Ela ressalta que a reforma está sendo feita de forma fragmentada e sem um plano de contingência bem estruturado.
Ruído e impacto no atendimento
Além da poeira, o ruído excessivo das obras também é uma preocupação. O sindicato relatou que a barulheira atinge áreas de internação, como enfermarias, pediatria e UTI pediátrica, o que é inaceitável e aumenta o risco de contaminação para pacientes e profissionais.
Situações reincidentes e denúncias
Esta não é a primeira vez que o Sindsep se manifesta sobre as condições precárias das obras. Em abril, o sindicato já havia divulgado imagens de um grande vazamento de água que alagou um andar e paralisou elevadores, além de expor trabalhadores e pacientes a riscos.
Uma denúncia sobre a situação foi feita ao Centro de Vigilância Sanitária (CVS) em abril. O sindicato lamenta que a gestão atual pareça negligenciar a segurança de quem depende do hospital. A Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 50/2002 da Anvisa estabelece normas para reformas em estabelecimentos de saúde, exigindo, por exemplo, barreiras herméticas em salas de cirurgia.
Posicionamento da Vigilância Sanitária
O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) do Estado de São Paulo informou que inspecionou o HSPM e identificou que as obras ocorrem em áreas de circulação interna. A nota oficial afirma que medidas de controle já foram adotadas e que novas recomendações foram feitas para reforçar o controle de poeira, isolamento das áreas, sinalização, limpeza e gerenciamento de riscos.
A vigilância sanitária também recomendou o acompanhamento das intervenções pelo Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (CEREST) para monitorar os riscos ocupacionais.
Com informações da Agência Brasil








