
Plataformas de games, cada vez mais usadas como centros de socialização por jovens brasileiros, podem estar se tornando um terreno fértil para a formação de cibercriminosos. Especialistas alertam que a linha entre a trapaça online e crimes virtuais mais graves pode se tornar tênue, levando usuários a uma escalada de atividades ilegais.
Do jogo ao golpe: a escalada do cibercrime
Segundo o delegado Sérgio, o processo inicia com a tentativa de burlar regras em jogos. Ao dominar essa habilidade, o indivíduo pode avançar para a pirataria, depois para a monetização de conteúdos roubados e, eventualmente, para a necessidade de esconder o dinheiro obtido ilegalmente. Esse fluxo pode culminar em fraudes bancárias e golpes envolvendo métodos de pagamento como PIX e criptomoedas.
O perfil do criminoso virtual
O perfil mapeado dos criminosos virtuais no Brasil aponta para homens jovens, de 18 a 30 anos, pertencentes à classe média baixa e considerados nativos digitais. Apesar da familiaridade com a internet, o domínio tecnológico é, muitas vezes, básico. Eles utilizam ferramentas prontas, como kits de phishing, e painéis de controle adquiridos em fóruns online.
Esses criminosos costumam deixar rastros, seja pelo uso de softwares desatualizados ou pela falha em ocultar sua identidade real, expondo o endereço IP. As redes sociais também podem ser um ponto de exposição, com a ostentação de um novo padrão de consumo, como carros caros e festas, muitas vezes com dados de geolocalização e marcações.
A importância da socialização digital e do controle parental
O Brasil possui um mercado de games expressivo, com milhões de usuários, especialmente em plataformas como o Discord. A Pesquisa Game Brasil indica que jogos online são a principal fonte de entretenimento para uma parcela significativa de jovens, consolidando-se como importantes espaços de socialização. A Lei Felca buscou estabelecer restrições para menores, mas o controle parental é visto como decisivo.
O delegado ressalta que pais que não monitoram a atividade online de seus filhos podem não perceber quando eles estão sendo aliciados para o crime. “Eles não nascem cibercriminosos. Eles foram cultivados no submundo digital, onde a linha entre trapaça e crime foi se tornando indistinta,” pontua.
Com informações da Agência Brasil








