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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Operação Quimera desarticula esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho em Búzios e Rio

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, com o apoio do Ministério Público estadual, deflagrou nesta terça-feira (4) a Operação Quimera, que desarticulou uma sofisticada estrutura ligada ao tráfico de drogas. O grupo é acusado de lavar cerca de R$ 11 milhões provenientes do Comando Vermelho (CV) por meio de um clube recreativo e uma pousada em Armação de Búzios, na Região dos Lagos.

Alvos da Operação

Um dos principais alvos da investigação foi o Clube Recreativo Várzea Country Club, fundado há mais de 60 anos no bairro da Água Santa, zona norte do Rio. O local, próximo ao Morro do Dezoito, era utilizado por traficantes do CV para lavar dinheiro do tráfico.

A Pousada Menino do Rio, situada em Armação dos Búzios, também foi identificada como parte do esquema de lavagem de dinheiro.

Investigação e Denúncias

A investigação teve início após dirigentes do Clube Social Marabu, no bairro do Encantado, denunciarem ameaças para que abandonassem a administração e entregassem o controle do espaço a pessoas ligadas ao tráfico. As ameaças eram orquestradas pela liderança do Comando Vermelho, da comunidade do Morro do Dezoito.

Além da tentativa de assumir o controle do Marabu, o grupo exigia um pagamento mensal de R$ 6 mil para permitir o funcionamento do clube sem represálias.

Esquema de Lavagem

Investigações posteriores identificaram um esquema semelhante no Várzea Country Club. Pessoas de confiança da organização criminosa teriam assumido informalmente a administração do clube, controlando eventos, finanças e decisões internas.

Um núcleo familiar era responsável pela gestão financeira paralela. Um dos alvos, apontado como principal operador financeiro, movimentou R$ 2,4 milhões em seis meses sem atividade empresarial compatível. Outro investigado realizou cerca de 40 transferências via Pix totalizando R$ 240 mil e possui registros policiais por roubo de carga.

Uma quinta investigada, declarando-se recepcionista com renda mensal de R$ 3,2 mil, movimentou R$ 2,2 milhões em seis meses e recebeu R$ 253 mil de um dos alvos em seis transferências.

Movimentações Financeiras Suspeitas

Análises de Relatórios de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revelaram movimentações milionárias incompatíveis com a renda declarada dos investigados. Houve intensa circulação de recursos entre familiares, empresas e pessoas físicas, através de transferências bancárias, depósitos em espécie e operações fracionadas via Pix.

Lavagem na Pousada em Búzios

A Pousada Menino do Rio, em Búzios, com 16 quartos e diárias de cerca de R$ 540 na alta temporada, movimentou R$ 3,44 milhões em pouco mais de seis meses. O estabelecimento registrou mais de 600 depósitos em espécie, somando aproximadamente R$ 955 mil, levantando suspeitas de lavagem de recursos do tráfico.

Ocultação e Dificuldade de Rastreamento

O esquema utilizava pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem dos recursos, dificultar o rastreamento patrimonial e reinserir valores provenientes do tráfico na economia formal. As movimentações somadas ultrapassam R$ 11 milhões e apresentam características de ocultação patrimonial e pulverização de recursos.

Com informações da Agência Brasil