
O Ministério da Justiça e Segurança Pública inaugurou, nesta quarta-feira (1º), em São Paulo, o Escritório Nacional Antifacção de São Paulo (ENA/SP). A estrutura faz parte do Programa Brasil contra o Crime Organizado e funcionará como um ponto permanente de articulação entre órgãos federais, estaduais e municipais para intensificar o combate às organizações criminosas.
Combate financeiro e inteligência
Localizado na região da Luz, centro da capital paulista, o escritório desenvolverá ações de inteligência e estratégias focadas em “asfixiar” financeiramente as facções. O objetivo é atuar diretamente nas fontes de recursos do crime organizado.
“A inauguração deste escritório demonstra que estamos levando a presença do Estado para onde os desafios acontecem, fortalecendo a interlocução com as forças de segurança e potencializando nossa capacidade de resposta”, afirmou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
O ministro ressaltou a importância de estar presente nos territórios estratégicos. “Não é possível enfrentar organizações criminosas apenas a partir de Brasília, que é preciso estar nos territórios estratégicos, dialogando diariamente com as polícias, ministérios públicos, sistema financeiro e todos os órgãos que participam desse esforço nacional”, disse.
Integração e cooperação
Além de integrar forças de segurança e coordenar iniciativas de asfixia financeira, o novo escritório promoverá o intercâmbio de informações estratégicas e de inteligência. Também atuará em cooperação com órgãos de persecução penal e instituições financeiras.
A coordenação da unidade em São Paulo ficará a cargo do ex-ouvidor das Polícias de São Paulo, Benedito Mariano. Novas unidades devem ser inauguradas no Rio de Janeiro e em Foz do Iguaçu.
Investimento em presídios
O ministério anunciou ainda um investimento federal em 138 presídios existentes no país para melhorar a capacidade e segurança. A estratégia visa o monitoramento e isolamento de lideranças criminosas, utilizando o modelo do sistema penitenciário federal.
Os presídios selecionados receberão equipamentos como scanners corporais, geo-radares e identificadores de celulares, com base em um mapa de atuação das organizações criminosas produzido pelo Ministério da Justiça.
Sanções dos EUA e soberania
Em relação às sanções anunciadas pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos contra brasileiros e empresas por supostos vínculos com o PCC, o ministro Wellington César Lima e Silva declarou que a designação norte-americana não produz efeitos extraterritoriais.
“Todas as nações devem aprofundar e sofisticar os seus mecanismos de combate ao crime organizado, desde que a soberania do outro país seja respeitada”, ressaltou. O secretário nacional de Segurança Pública, Chico Lucas, acrescentou que a cooperação internacional é fundamental, mas o respeito à soberania brasileira é inegociável.
Com informações da Agência Brasil








