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sexta-feira, 3 de julho de 2026
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Enchentes no RS: Mais de 2,3 milhões de domicílios afetados em 133 municípios, aponta IBGE

Uma pesquisa divulgada pelo IBGE detalha os impactos devastadores das enchentes de 2024 no Rio Grande do Sul, revelando que mais de 2,3 milhões de domicílios foram afetados em 133 municípios. Os dados apontam para a gravidade das consequências do evento climático, com 81.272 domicílios (3,5%) classificados como destruídos e 190.253 (8,2%) como muito danificados.

Condições de precariedade e impactos nos bairros

As condições de máxima precariedade foram observadas em 11,7% dos domicílios pesquisados. No que diz respeito aos reflexos ambientais nos bairros, o impacto mais citado foi a existência de ruas ou rodovias danificadas, alagadas ou interditadas, com 62,3% das menções. Em seguida, aparecem o acúmulo de lixo e outros resíduos (56,3%), domicílios danificados, destruídos, inundados ou ilhados (54,1%) e a interrupção da iluminação pública (53,9%).

Mudanças de endereço e renda

Após o desastre, 14,6% da população (922.233 pessoas) mudou de endereço, sendo que 37,9% (349.366 pessoas) o fizeram devido às enchentes. Entre esses, 71,6% residiam em domicílios com danos estruturais e 28,3% tinham renda familiar de até R$ 2 mil, um percentual superior à média geral da população afetada.

A pesquisa também indica que 24,9% dos moradores viviam em domicílios cujas condições gerais de vida pioraram após as chuvas, enquanto apenas 17,3% relataram melhorias. A maioria (56,5%) percebeu que a qualidade de vida permaneceu a mesma.

Ações preventivas e satisfação com a recuperação

Cerca de 2.438.297 pessoas (38,5%) declararam ter conhecimento sobre ações preventivas para futuras enchentes. Em relação aos trabalhos de recuperação, 41% dos moradores (2.594.761) se mostraram favoráveis às providências tomadas, sugerindo a necessidade de uma comunicação mais eficaz por parte das autoridades.

A análise da renda domiciliar mensal revelou que 66,8% do total de moradores (4.231.602) estavam na faixa de até R$ 5 mil durante as inundações. Em termos demográficos, 51,9% se declararam do sexo feminino e 48,1% do masculino. A maioria (78,5%) se identificou como branca.

Reflexos sociais e auxílio financeiro

Os efeitos na vida pessoal foram amplos, com 67,5% dos afetados relatando abalo na saúde mental, seguido por interrupções na vida social (58,4%) e dificuldades de deslocamento para trabalho ou estudo (57,3%).

O auxílio financeiro público foi recebido por 484.221 domicílios (20,8% do total), sendo que 52,9% desses beneficiários possuíam renda de até R$ 3 mil. Domicílios com danos estruturais que receberam o auxílio somaram 88,7%.

Um total de 196.293 domicílios (8,4%) precisou de atendimento médico devido às chuvas, com 56,1% desses pertencentes a famílias com rendimentos de até R$ 3 mil, evidenciando a concentração nas classes menos favorecidas.

Acesso e meios de resgate

Os domicílios que ficaram sem acesso somaram 652.107, sendo 55,2% deles com renda de até R$ 3 mil. Os resgates foram majoritariamente realizados por meios aquáticos (70%) e terrestres (34,6%), com a participação predominante de voluntários (74,9%) e, em seguida, de órgãos oficiais (35,4%).

Com informações da Agência Brasil