
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime aprovou a convocação de ex-diretores do Banco Central (BC) e a quebra de sigilos de empresários e investigados ligados à lavagem de dinheiro do PCC na Faria Lima, centro financeiro de São Paulo. As medidas miram a atuação de um braço da organização criminosa e o grupo conhecido como “A Turma”, que supostamente atuava para intimidar adversários.
Ex-diretores do BC convocados
Foram chamados para depor Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, ex-diretor de fiscalização e ex-chefe de supervisão bancária do BC, respectivamente. Segundo o senador Humberto Costa, ambos teriam atuado como consultores informais de Daniel Vorcaro, facilitando a compra do então Banco Máxima (renomeado Master) e fornecendo informações sigilosas.
A CPI também quebrou os sigilos da Varajo Consultoria, ligada a Vorcaro, e convocou seu chefe, Leonardo Augusto Furtado Palhares. A empresa é suspeita de ter proposto pagamento a servidores do BC.
Operação contra lavagem de dinheiro do PCC
Empresários e investigados por associação com a lavagem de dinheiro do PCC na Faria Lima tiveram seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos quebrados. As apurações são desdobramentos da Operação Carbono Oculto da Polícia Federal.
Entre os alvos está Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”, apontado como gestor de distribuidoras de combustíveis usadas para lavar R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024. O esquema envolvia postos e fundos de investimento.
Mohamad Hussein Mourad, considerado um dos principais operadores do PCC e com supostas conexões com o Banco Master, também teve seus sigilos quebrados. Francisco Maximiano, dono da Precisa Medicamentos, e Danilo Berndt Trent, tido como “sócio oculto” da empresa, cujos sigilos foram abertos, são outros investigados. A Precisa Medicamentos já foi alvo de investigação por corrupção na compra de vacinas.
“A Turma” e intimidação
O grupo “A Turma”, suspeito de monitorar e intimidar adversários de Daniel Vorcaro, também foi alvo da CPI. O grupo teria discutido simular um assalto para agredir um jornalista que publicou notícias desfavoráveis a Vorcaro.
Ana Cláudia Queiroz de Paiva, que supostamente participava dos pagamentos para o grupo, foi convocada. Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da PF e operador do grupo, teve seus sigilos quebrados.
A CPI também quebrou os sigilos de empresas ligadas ao Master, como King Participações Imobiliárias e King Motors Locação de Veículo. Foi solicitada a lista de passageiros de avião usado para transportar aliados de Vorcaro, com base em indícios de que autoridades teriam utilizado aeronaves particulares.
O empresário Vladimir Timerman, que há anos denuncia fraudes no Master, foi convidado para depor.
Com informações da Agência Brasil







