25.3 C
Manaus
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Início Economia Montagem de Kits Importados Ameaça 69 mil Empregos na Indústria Automotiva Brasileira,...

Montagem de Kits Importados Ameaça 69 mil Empregos na Indústria Automotiva Brasileira, Alerta Anfavea

A substituição da produção automotiva completa no Brasil pela montagem de kits importados, especialmente os regimes CKD (Completely Knocked Down) e SKD (Semi Knocked Down), pode levar à extinção de 69 mil empregos diretos e impactar outros 227 mil postos de trabalho ao longo da cadeia produtiva. O alerta é de um estudo divulgado esta semana pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Impactos Econômicos e na Cadeia Produtiva

O levantamento da Anfavea estima ainda perdas econômicas de até R$ 103 bilhões para os fabricantes de autopeças e uma redução de aproximadamente R$ 26 bilhões na arrecadação de tributos em um único ano. Além disso, as exportações de veículos podem sofrer uma queda de R$ 42 bilhões anuais, prejudicando a balança comercial do país.

No modelo CKD, os veículos chegam desmontados ao Brasil para serem soldados, pintados e integrados. Já no SKD, a importação é de peças em grandes conjuntos, com montagem local mais simples. Atualmente, a montadora chinesa BYD utiliza o modelo SKD em sua fábrica em Camaçari (Bahia).

Pressão por Concorrência Justa

A polêmica ganhou força em meados do ano passado, quando o governo federal autorizou uma cota adicional de US$ 463 milhões com Imposto de Importação zerado para veículos elétricos e híbridos desmontados. A medida, que beneficiou a BYD e expira em 31 de janeiro, gerou críticas de montadoras tradicionais como Toyota, General Motors, Volkswagen e Stellantis, representadas pela Anfavea.

Diante do fim iminente do benefício, a Anfavea pressiona o governo federal para que a isenção de Imposto de Importação sobre veículos eletrificados desmontados não seja renovada. O presidente da Anfavea, Igor Calvet, defende que o problema não está nos regimes CKD e SKD em si, mas nos incentivos à montagem em alto volume sem exigência de aporte de valor nacional. Ele argumenta que isso ameaça a indústria de alta complexidade e a geração de empregos qualificados.

“A Anfavea e suas associadas não temem a concorrência. O setor recebeu, ao longo das últimas décadas, diversas marcas internacionais dispostas a investir e competir no Brasil. O que se busca é um ambiente competitivo justo, com regras iguais para todos”, afirmou Calvet.

Manifesto Contra a Isenção

Em manifesto, a Anfavea reforça sua posição contra a renovação da isenção da importação de kits para fabricação em alto volume. A associação argumenta que, embora possa parecer vantajosa no curto prazo, a prática não constrói uma indústria forte, não desenvolve cadeias locais, gera menos empregos e enfraquece o setor a longo prazo.

A BYD não comentou o assunto até o momento. O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços informou que o sistema de cotas para importações de CKD e SKD termina em janeiro e que, até o momento, não há pedido de renovação do setor.

Com informações da Agência Brasil