
A 10ª Conferência Municipal de Saúde (Comus) de Manaus, organizada pelo Conselho Municipal de Saúde (CMS/Manaus) em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), abordou em seus painéis temáticos temas cruciais para o futuro do Sistema Único de Saúde (SUS). Democracia, saúde como direito, financiamento, emergências climáticas e modelos de atenção foram os eixos centrais das discussões que reúnem 455 delegados.
Eixos de discussão e o papel da participação social
A conferência, que teve início em 9 de junho e se estende até 12 de junho, é uma etapa preparatória para a 18ª Conferência Nacional de Saúde. O presidente do CMS/Manaus, Hellyngton Moura, destacou que os painéis visam subsidiar os delegados com informações para aprimorar propostas elaboradas em pré-conferências distritais.
O primeiro eixo, “Democracia, saúde como direito e soberania social”, foi conduzido pela doutora Lidiany Cavalcante, da Ufam. Ela ressaltou a importância do protagonismo social na defesa do SUS, relembrando sua evolução histórica e o marco da participação social estabelecido na 8ª Conferência Nacional de Saúde.
Financiamento do SUS e desafios municipais
A diretora de Planejamento da Semsa, Vanilce Monteiro Lima, abordou o eixo “Financiamento adequado e suficiente para o SUS”. Ela apontou o subfinanciamento crônico do sistema e a carga financeira sobre os municípios, exemplificando que em Manaus, o município arca com quase 80% do financiamento da rede de saúde, enquanto a participação federal é menor.
Vanilce Lima enfatizou que a Comus é um momento vital para a população de Manaus participar da elaboração de propostas que fundamentarão o plano nacional de saúde e, consequentemente, as diretrizes para o plano municipal nos próximos anos.
Emergências climáticas e a resiliência do SUS
Jorge Carneiro, gerente de Vigilância de Serviços da Semsa, apresentou o terceiro eixo: “Os desafios para o SUS na agenda nacional da defesa da vida e da saúde: emergências climáticas e justiça socioambiental”. Ele alertou para a necessidade de preparar o SUS para responder às mudanças climáticas, cujos impactos já são sentidos, como secas extremas, queimadas e o aumento de doenças respiratórias e transmitidas por vetores. A COP 30 também foi mencionada como um fórum de reflexão sobre o tema.
Modelos de atenção e gestão integrada
O último eixo, “Modelos de atenção e gestão, territórios integrados e cuidado integral”, foi conduzido pela diretora de Atenção Primária da Semsa, Sonja Farias. Ela enfatizou a importância do planejamento territorial, do fortalecimento da Atenção Básica e da integração entre gestão, assistência, vigilância e participação social. O combate à fragmentação na rede de atenção é visto como essencial para garantir um atendimento continuado e integral ao usuário.
A programação da 10ª Comus continua com grupos de trabalho para discussão de propostas e culmina com a plenária final em 12 de junho, onde as diretrizes serão votadas e os delegados para a Conferência Estadual de Saúde serão eleitos.
Com informações da Prefeitura de Manaus








