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Oropouche: Manaus registra 12,5% de infecção em surto que se assemelha ao de 1980

Um estudo recente revelou que Manaus atingiu cerca de 12,5% de infecção em um surto de Oropouche ocorrido entre 2023 e 2024, um índice semelhante ao registrado na epidemia de 1980-1981. A pesquisa utilizou dados sorológicos de amostras de sangue coletadas em três períodos distintos para identificar a presença de antígenos, indicando contato prévio com o vírus.

Surtos e Dispersão da Doença

Desde a identificação da febre em 1955, foram registrados 32 surtos da doença em países como Brasil, Peru, Guiana Francesa e Panamá. No Brasil, especificamente, foram contabilizados 19 surtos.

Manaus como Polo de Dispersão

A capital amazonense, com sua vasta população e conexões aéreas, atua como um centro crucial para a disseminação do vírus. Essa característica contribuiu para a expansão da doença para estados como Espírito Santo e Rio de Janeiro em 2024.

Subnotificação e Casos Assintomáticos

A diferença entre os casos confirmados e o número real de infecções pode ser atribuída ao acesso limitado a serviços de saúde na bacia amazônica e à alta proporção de casos assintomáticos ou leves, que podem constituir a maioria das infecções, uma característica ainda em investigação.

Nesta década, mais de 30 mil casos foram registrados, impulsionados pelo avanço de uma variante do vírus pela América Latina e Caribe. O estudo ressalta uma notável subnotificação em todos os serviços de saúde da região.

Sintomas e Gravidade

A infecção por Oropouche pode manifestar sintomas febris semelhantes aos da dengue, dificultando o diagnóstico. Casos graves, quando diagnosticados corretamente, podem levar a complicações neurológicas, problemas materno-fetais e até óbito.

Tratamento e Imunidade

Atualmente, não há vacinas licenciadas nem antivirais específicos. Pesquisas buscam alternativas, como o estudo da eficácia de acridonas.

Anticorpos desenvolvidos há décadas demonstraram capacidade de neutralizar a cepa recente do vírus, sugerindo imunidade duradoura. No entanto, sem intervenções direcionadas, novos surtos são esperados em áreas com a presença do vetor.

Controle Vetorial e Áreas de Risco

Um segundo estudo aponta a predominância do vírus em áreas rurais e florestais, com transmissão por mosquitos urbanos, como o Aedes aegypti, sendo minoritária. As estratégias de controle focadas em mosquitos urbanos se mostram insuficientes.

É essencial intensificar a vigilância epidemiológica em áreas de contato com mata degradada para conter a transmissão. A identificação de indivíduos previamente infectados pode auxiliar na previsão de futuras populações em risco, segundo o professor Allyson Guimarães Costa, da Universidade Federal do Amazonas e do Hemoam.

Com informações da Agência Brasil