
O combate à dengue foi anunciado como o primeiro foco de trabalho da Coalizão Global para Produção Local e Regional, Inovação e Acesso Equitativo. A iniciativa, proposta pela presidência brasileira do G20 em 2024, visa promover o acesso mundial a medicamentos, vacinas, terapias, diagnósticos e tecnologias de saúde, com um olhar especial para países em desenvolvimento.
Dengue como prioridade global
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou a importância de priorizar a dengue devido à sua natureza endêmica em mais de 100 países, afetando mais da metade da população mundial. Estima-se que ocorram entre 100 milhões e 400 milhões de infecções anualmente.
Padilha associou a expansão da doença às mudanças climáticas, que criam condições favoráveis para a transmissão, assim como ocorre com outras arboviroses como zika, chikungunya e febre oropouche.
Parcerias estratégicas e produção nacional
Como exemplo de colaboração internacional, o ministro citou a parceria para a vacina contra a dengue do Instituto Butantan, que visa ampliar a produção com a empresa chinesa WuXi, com o objetivo de entregar cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2024.
Tecnologia e inovação farmacêutica
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) será responsável pelo secretariado executivo da coalizão, apostando em sua experiência internacional para alcançar os resultados propostos, com projetos focados na cooperação estruturante e formação de competências locais.
O Ministério da Saúde também anunciou a produção nacional do medicamento imunossupressor Tacrolimo, crucial para pacientes transplantados. A transferência tecnológica, realizada em parceria com a Índia, garantirá o acesso a cerca de 120 mil brasileiros que utilizam o medicamento, cujo custo mensal pode variar entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil.
Desenvolvimento de vacinas de RNA
Um novo centro de competência para a produção de vacinas de RNA mensageiro (mRNA) será instalado na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com investimento de R$ 65 milhões. Essa iniciativa soma-se às plataformas já em desenvolvimento na Fiocruz e no Instituto Butantan, com um investimento federal total de cerca de R$ 150 milhões.
O Brasil contará, assim, com três instituições públicas produtoras de vacinas de mRNA, fortalecendo a capacidade do país de desenvolver tecnologias para diversas doenças e de responder rapidamente a futuras emergências sanitárias.
Com informações da Agência Brasil







