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quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
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Fim da escala 6×1 pode impulsionar produtividade no Brasil, defende Ministro Boulos

O Ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, defende que o fim da escala de trabalho 6×1, que prevê seis dias de trabalho por um de folga, pode ser um catalisador para o aumento da produtividade na economia brasileira. Em entrevista ao programa “Bom dia, Ministro”, do Canal Gov, Boulos argumentou a favor da redução da jornada de trabalho, citando dados de pesquisas e experiências de empresas e países que já implementaram modelos semelhantes.

Estudos apontam ganhos com jornada reduzida

Um estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV) realizado em 2024 com 19 empresas que diminuíram a jornada de trabalho revelou que 72% delas registraram aumento de receita e 44% melhoraram o cumprimento de prazos. Boulos destacou que a redução da jornada, mesmo sem legislação específica, já tem gerado resultados positivos.

“Com seis dias de trabalho, um de descanso – e às vezes esse um, principalmente para as mulheres, é para fazer serviço de cuidado em casa – quando essa pessoa chega ao trabalho, ela já está cansada. Quando esse trabalhador ou trabalhadora está mais descansado, o resultado é que ele vai trabalhar melhor. Então, o que a gente sustenta é baseado em dados”, explicou o ministro.

Exemplos internacionais e o caso da Microsoft

Boulos mencionou o caso da Microsoft no Japão, que, ao adotar a escala 4×3 (quatro dias de trabalho por três de folga), observou um aumento de 40% na produtividade individual. A Islândia, em 2023, reduziu a jornada semanal para 35 horas, com escala 4×3, e viu sua economia crescer 5%, com aumento de 1,5% na produtividade do trabalho. Nos Estados Unidos, uma redução média de 35 minutos diários de trabalho nos últimos três anos, impulsionada pela dinâmica do mercado, resultou em um aumento médio de 2% na produtividade.

Críticas à baixa produtividade e investimento privado

O ministro rebateu o argumento de que a baixa produtividade seria um impeditivo para a redução da jornada. Ele ressaltou que a falta de investimento em inovação e tecnologia por parte do setor privado brasileiro é um fator crucial para a produtividade aquém do esperado. “Quase todo o investimento em inovação, tecnologia e pesquisa no Brasil é do setor público. O setor privado brasileiro é um dos que menos investe, proporcionalmente aos países no mesmo patamar”, criticou.

Proposta do Governo e resistência empresarial

A proposta em discussão pelo governo é a redução das atuais 44 horas semanais para 40 horas, sem diminuição salarial, em um regime de no máximo cinco dias de trabalho e dois de folga. A medida prevê um período de transição e compensações para micro e pequenas empresas. O governo busca avançar na discussão com o Congresso para que o tema seja votado ainda neste semestre. Uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 8/2025, que propõe o fim da escala 6×1 e jornada máxima de 36 horas semanais, já tramita na Câmara.

Juros altos como obstáculo adicional

Boulos também criticou a alta taxa de juros no Brasil, atualmente em 15% ao ano, afirmando que ela onera o setor produtivo e dificulta o investimento e o acesso a capital de giro, especialmente para pequenos e médios negócios. Ele defende a redução da Selic como medida para aliviar os custos e estimular a economia. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, que decidirá sobre a taxa de juros, está marcada para 27 e 28 de janeiro.

Com informações da Agência Brasil