
O empresário Paulo Camisotti, convocado a depor na condição de testemunha na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, optou por permanecer em silêncio durante seu depoimento nesta quinta-feira (26). Ele é apontado como dirigente de mais de 20 empresas investigadas na Operação Sem Desconto, que apura um esquema criminoso de desvio de bilhões de reais de aposentados e pensionistas.
Direito ao silêncio e acusações familiares
Amparado por um habeas corpus e com a orientação de seu advogado, Paulo Camisotti utilizou seu direito constitucional de não responder a perguntas que pudessem incriminá-lo. O relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), foi o primeiro a questioná-lo. O empresário limitou-se a confirmar ser presidente da Associação Brasileira de Empresas de Cartões de Saúde e Benefícios (ABCS) e filho de Maurício Camisotti, empresário preso desde setembro de 2025 sob acusação de envolvimento na fraude.
Esquema bilionário e laços familiares
Segundo o relator, as empresas da família Camisotti movimentaram mais de R$ 800 milhões, com R$ 350 milhões destinados diretamente a eles, sendo Maurício Camisotti o principal beneficiário do esquema. Gaspar comparou a força financeira da família à de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como um dos principais operadores da fraude.
O deputado denunciou que Paulo e seu pai criaram uma rede de serviços fictícios para desviar dinheiro de associações que controlavam, prejudicando aposentados e pensionistas. A Associação dos Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos (Ambec) teria recebido quase R$ 500 milhões em descontos associativos por serviços não prestados.
Diretoria da Ambec ligada à família Camisotti
Alfredo Gaspar detalhou que a diretoria da Ambec era composta por pessoas com laços familiares ou funcionários das empresas da família Camisotti. Entre os citados estão Ademir Fratic Bacic (primo de Paulo Camisotti e sobrinho de Maurício), José Hermicesar Brilhante (funcionário das empresas de Paulo), Luciene de Camargo Bernardo (prima do pai de Paulo) e Antonio Fratic Bacic (tio de Paulo). Antunes, o “Careca do INSS”, atuava como procurador da Ambec.
Diante das acusações, o empresário manteve-se em silêncio, sem que sua defesa se manifestasse sobre o conteúdo durante a audiência pública.
Com informações da Agência Brasil







