
Um estudo recente destaca a forte conexão entre as comunidades quilombolas e as pautas de justiça climática. A pesquisa, que consultou 53 agentes de comunicação e oito lideranças quilombolas, revelou que a produção de conteúdo nesses territórios frequentemente aborda temas ambientais e a preservação de práticas culturais e saberes ancestrais.
Preservação da memória e pautas ambientais
Os agentes de comunicação quilombolas se dedicam a registrar a memória de suas comunidades. Temas como comemorações locais (81%), plantio e colheita de alimentos próprios (73,6%), artesanato (68%) e contação de histórias (64,2%) são recorrentes em suas produções.
Além disso, o estudo identificou que discussões sobre problemas ambientais alcançam 70% das pautas debatidas, e justiça climática aparece em 53% das temáticas. Outras questões relevantes incluem racismo (87%), políticas públicas (85%) e demarcação territorial (64%).
Desafios na produção de conteúdo digital
Apesar do engajamento, a produção de conteúdo digital nas comunidades quilombolas enfrenta obstáculos significativos. A falta de acesso à internet em regiões rurais, limitações financeiras para aquisição de equipamentos e softwares, e dificuldades de aprendizado no uso dessas ferramentas foram apontadas por muitos entrevistados.
A captação de recursos também é um desafio, com editais muitas vezes inacessíveis e falta de incentivo por parte de financiadores. Mais de 40% dos participantes relataram não receber remuneração por suas atividades culturais e comunicacionais.
Mapa interativo e iniciativas de visibilidade
Para combater a falta de visibilidade e fortalecer a articulação quilombola, o Instituto Sumaúma desenvolveu um mapa interativo de acesso livre. A plataforma permite filtrar comunidades por cidade, estado e país, facilitando o contato com comunicadores e agentes culturais.
Taís Oliveira, diretora executiva do instituto, ressalta que o mapa visa promover o diálogo e o conhecimento sobre a cultura e as pautas quilombolas, além de incentivar visitas e a aquisição de produtos e serviços dessas comunidades.
Exemplo: Rede Kalunga de Comunicação
Um dos coletivos participantes é a Rede Kalunga de Comunicação, localizada na Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Desde 2021, a rede independente narra a história das comunidades quilombolas do Sítio Histórico e Patrimônio Cultural Kalunga, o maior território quilombola do Brasil.
A iniciativa, que produz oficinas, eventos, podcasts e conteúdos audiovisuais, busca dar voz aos próprios membros da comunidade, valorizando seu conhecimento, cultura e oralidade. Daniella Teles, cofundadora da rede, destaca o impacto positivo na autoestima local, que antes sofria com a vergonha decorrente da exclusão social.
O próximo passo da Rede Kalunga é o lançamento de um site para disseminar informações sobre a comunidade de forma acessível e educativa, garantindo que sua história não seja esquecida.
Com informações da Agência Brasil







