
O embaixador André Corrêa do Lago, à frente da presidência brasileira no espaço multilateral da ONU para ação climática, tem o desafio de concluir os mapas do caminho para o fim do desmatamento global e a transição para longe dos combustíveis fósseis até novembro deste ano, quando ocorrerá a COP31 na Turquia. O objetivo é promover uma queda expressiva nas emissões de gases do efeito estufa.
Avanços e desafios na ação climática
Desde a COP30, realizada em Belém em novembro de 2025, a conscientização sobre a necessidade de uma nova fase de implementação das ações climáticas tem crescido. O embaixador destaca a importância de assegurar que as COPs se tornem instrumentos mais efetivos para a ação, considerando o tempo limitado que a ciência aponta para evitar os piores cenários das mudanças climáticas.
O papel do Brasil na transição energética
A iniciativa do “Mapa do Caminho” para longe dos combustíveis fósseis foi lançada pelo presidente Lula, com o Brasil liderando politicamente essa discussão. Embora a Colômbia tenha promovido um encontro reunindo cerca de 85 países, o embaixador ressalta que o consenso, mesmo entre um grande número de nações, é crucial para que o tema entre na agenda de negociações. O Brasil propôs a elaboração deste roadmap para esclarecer como a discussão sobre energia pode ser tratada dentro da Convenção do Clima e do Acordo de Paris.
Geopolítica e a dificuldade em avançar na agenda climática
O embaixador aponta o impacto econômico e geopolítico como um dos principais obstáculos para o avanço da agenda climática. A discussão sobre energia, por exemplo, é fragmentada entre diversas entidades e não possui uma estrutura universal dedicada, o que dificulta o debate e a tomada de decisões. Essa dificuldade se reflete na relutância de alguns países em promover uma transição energética que possa afetar seus interesses na produção de combustíveis fósseis.
Diferenças entre EUA e China na transição energética
Corrêa do Lago observa uma divergência significativa entre Estados Unidos e China na abordagem da transição energética. Enquanto a China aposta fortemente em novas formas de produção de energia, o governo americano demonstra uma postura mais cautelosa, focada em manter as formas tradicionais de produção, o que pode estar ligado à sua posição como maior potência mundial de petróleo e gás. A corrida por minerais críticos e terras raras, essenciais para a transição, também é vista como um fator geopolítico nesse cenário.
Prioridades da presidência brasileira na COP
Até novembro, as prioridades da presidência brasileira incluem a finalização dos dois mapas do caminho (desmatamento e transição energética), a complementação da estrutura de financiamento climático para US$ 1,3 trilhão ao ano, o desenvolvimento do Acelerador de Implementação do Acordo de Paris, o fortalecimento da agenda de adaptação e o aprimoramento da Agenda de Ação. O objetivo é consolidar o legado da COP30 em Belém como uma etapa inovadora na transição da negociação para a implementação da ação climática.
Financiamento climático e a busca por consenso
A imprecisão nos números do financiamento climático aos países em desenvolvimento é apontada como um entrave para a construção de confiança e a obtenção de consenso nas negociações. O Brasil, juntamente com o grupo liderado por Nicholas Stern (IHLEG) e o Conselho de Economistas criado para a COP30, está trabalhando para esclarecer esses valores e aprofundar a compreensão sobre o financiamento climático, separando-o, quando possível, do financiamento para a biodiversidade.
Com informações da Agência Brasil







