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segunda-feira, 4 de maio de 2026
Manaus Manaus promove fórum para discutir saúde indígena e planejar novas políticas

Manaus promove fórum para discutir saúde indígena e planejar novas políticas

A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), realizou o “Fórum de Saúde Indígena: Desafios e potencialidades na saúde dos povos indígenas em contexto”. O evento, que ocorreu no auditório da Escola Superior de Ciências da Saúde da Universidade do Estado do Amazonas (ESA/UEA), teve como objetivo central discutir e aprimorar as políticas de saúde voltadas para a população indígena na capital amazonense.

Reforço e qualificação das ações de saúde indígena

Durante o fórum, o subsecretário municipal de Gestão da Saúde, Djalma Coelho, destacou as iniciativas da Semsa para fortalecer a atenção à saúde indígena. Entre elas, estão a qualificação do cadastro e atualização de dados dessa população, com o apoio de agentes comunitários e indígenas de saúde (AIS), além da capacitação das equipes de saúde para um acolhimento mais humanizado e específico aos povos tradicionais.

Manaus se destaca por ter o cargo de agente indígena de saúde como servidor na área da saúde, um diferencial que será ampliado com a inclusão deste cargo em futuro concurso público da Semsa. Coelho ressaltou a importância do processo participativo, com a colaboração de gestores, profissionais e representantes da sociedade civil, para a construção de políticas públicas eficazes.

Diversidade e desafios da população indígena urbana

Marcivana Sateré Mawé, presidente da Coordenação dos Povos Indígenas de Manaus e Entorno (Copime), lembrou que Manaus abriga pessoas de 186 etnias indígenas, falantes de 99 línguas. Ela apontou o processo de urbanização como um fator que levou à invisibilização cultural e a desafios na oferta de atenção à saúde. “Avançamos muito, mas ainda precisamos avançar muito mais”, afirmou, defendendo Manaus como uma capital de referência na atenção a esses povos.

Liege Franco de Sá, chefe do Núcleo de Promoção do Respeito à Diversidade da Semsa, explicou que o fórum servirá de base para a criação de uma política municipal indígena, especialmente para aqueles que vivem em contexto urbano e não são aldeados. Ela enfatizou que a Semsa busca observar as especificidades culturais e integrar a medicina indígena à biomédica.

Inovações e mesas-redondas

O evento contou com a participação de diversas instituições, incluindo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), a Universidade do Estado do Amazonas (UEA), a Fiocruz Amazônia, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e o Ministério Público Federal (MPF).

A programação incluiu o Momento Tekoha Vy’a, com relatos sobre a atuação de agentes indígenas de saúde e iniciativas da Semsa, como o trabalho de mapeamento e cadastro de comunidades indígenas no Distrito de Saúde Leste, que beneficiou mais de 5,9 mil pessoas. Profissionais de saúde municipal também apresentaram ações voltadas para a saúde de mulheres indígenas, educação em saúde e atendimento psicossocial.

Três mesas-redondas abordaram temas cruciais como “O cenário da saúde indígena no contexto urbano de Manaus (Avanços, desafios e perspectivas)”, “O papel do MPF, do Dsei e da Funai na efetivação dos direitos à saúde indígena em contexto urbano” e “Perspectivas interculturais no cuidado à saúde indígena na APS em Manaus: Respeito e ampliação dos saberes e práticas culturais”.

Com informações da Prefeitura de Manaus