
Centenas de pessoas se reuniram na Avenida Paulista, em São Paulo, neste domingo (1º), para exigir justiça pela morte do cão Orelha, brutalmente torturado por adolescentes na Praia Brava, litoral de Santa Catarina. O protesto visou pressionar as autoridades a punir os responsáveis pela crueldade que levou o animal a óbito no dia 5 de janeiro, após ficar muito debilitado e precisar ser sacrificado.
Os manifestantes, muitos vestidos de preto e com camisetas estampando a imagem do cão e frases como “Não foi só um latido, foi um chamado por justiça!”, expressaram sua indignação. Adesivos com mensagens similares foram distribuídos entre os presentes, que incluíam pessoas de todas as idades e muitos com seus próprios animais de estimação.
O ato, que começou em frente ao MASP por volta das 10h e se estendeu até a tarde, foi marcado por gritos de ordem como “Não são crianças, são assassinos!” e “Não vai cair no esquecimento!”. Em alguns momentos, foram avistadas placas defendendo a redução da maioridade penal.
Debate sobre a maioridade penal e impunidade
A psicóloga Luana Ramos defendeu a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, especialmente para crimes violentos. Ela criticou a discrepância no tratamento de casos envolvendo jovens de diferentes origens sociais. “Se fossem quatro meninos pretos, teriam sido linchados. Já teriam feito justiça com as próprias mãos, enquanto os quatro meninos brancos, ricos, estão indo à Disney. Isso não pode mais acontecer”, declarou.
Luana também ressaltou a gravidade do ato cometido contra Orelha. “Erro não é isso. Erro dá para consertar. Isso não dá para consertar, não tem como voltar atrás. Foi assassinato, crueldade”, afirmou, em contraponto à tentativa de familiares dos acusados de minimizar o ocorrido.
Os adolescentes, investigados por ato infracional análogo ao crime de maus-tratos, teriam coagido testemunhas. A advogada Carmen Aires, presente no protesto com seus cachorros, mencionou que um outro cachorro teria sido vítima dos mesmos jovens, quase morrendo afogado. Para ela, a legislação atual para crimes contra animais é branda e precisa ser revista.
Relação entre violência contra animais e outras formas de agressão
A instituição Ampara Animal destaca em seu site a relação entre a violência contra animais e a violência contra mulheres, alertando para a necessidade de reeducação social. O casal Thayná Coelho e Almir Lemos, de Belém, que aderiu espontaneamente ao protesto, reforçou a ideia de que a origem social e a percepção de privilégio podem influenciar tais atos de crueldade.
“A cor, a classe social. Acharam que tinham o direito e simplesmente foram e fizeram. Acharam que estavam no direito deles”, disse Almir, criticando a postura dos familiares que tentam abafar o caso. Thayná complementou: “Tem muito a ver também com o que é prometido a eles. O branco, principalmente o homem branco, classe média, classe média alta. É prometido a eles um privilégio. Eles sabem que têm esse privilégio. Acham que o mundo é deles, que podem matar. Não só um cachorro, mas mulheres”.
A psicóloga relembrou a importância de se atentar a esses padrões de comportamento. “Imagine as namoradas deles”. Ela concluiu lamentando que o caso de Orelha seja apenas a “ponta do iceberg” de uma realidade de maus-tratos diários que muitas vezes não são devidamente tratados pelas autoridades, dependendo do esforço de ONGs e protetores independentes.
Com informações da Agência Brasil







