
A Anistia Internacional criticou veementemente o julgamento que absolveu os policiais militares envolvidos na morte de Thiago Menezes, de 13 anos, em 2017, na comunidade Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. Segundo a organização, o caso é um retrato da violência policial que atinge desproporcionalmente jovens negros no Brasil, transformando a vítima em réu.
Jovem morto por policiais não tinha antecedentes
Thiago Menezes foi atingido por disparos de fuzil enquanto estava na garupa de uma moto pilotada por Marcos Vinicius de Sousa Queiroz. Ambos não estavam armados e não tinham envolvimento com o tráfico, conforme depoimento de Marcos Vinicius. Thiago, que sonhava em ser jogador de futebol e possuía histórico escolar exemplar, foi atingido pelas costas. Os policiais, que estavam em um carro descaracterizado, teriam saído atirando sem serem provocados.
Críticas à estratégia de defesa e ao sistema judiciário
Defensores de direitos humanos e a família de Thiago também se pronunciaram contra a decisão do júri. A tia da vítima, Ana Cláudia Oliveira, apontou racismo no judiciário e lamentou que o julgamento tenha recaído sobre Thiago, invertendo a lógica da justiça. O advogado Guilherme Pimentel Braga, da Rede de Atenção a Pessoas Afetadas pela Violência de Estado (Raave), avaliou que o julgamento foi marcado por difamação e criminalização dos jovens de favela para justificar o crime, utilizando narrativas falsas e apoio de influenciadores digitais.
A ativista Mônica Cunha, do Movimento Moleque, também questionou o júri, lembrando casos semelhantes como o da menina Ágatha Félix, que também foi vítima de violência policial e teve o policial acusado de sua morte absolvido. Ela alertou para o fato de que policiais acusados de matar jovens em favelas frequentemente possuem histórico criminal, mas são absolvidos por um sistema que, segundo ela, condena a vítima.
Julgamento tenso e alegação de revide
O julgamento, que durou dois dias, foi marcado por debates acalorados. Os policiais admitiram ter disparado contra os jovens, mas alegaram que eles teriam atirado primeiro, configurando uma situação de revide. Os policiais também respondem a um outro processo por fraude processual.
A Anistia Internacional reforça a necessidade de interromper a lógica de militarização e a narrativa de “guerra às drogas”, além de garantir a responsabilização de todos os agentes do Estado envolvidos em operações letais.
Com informações da Agência Brasil







