Início Justiça Moraes abre inquérito sigiloso sobre vazamento de dados de ministros do STF...

Moraes abre inquérito sigiloso sobre vazamento de dados de ministros do STF após escândalo do Banco Master

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a abertura de um novo inquérito para investigar um suposto vazamento de dados fiscais de ministros da Corte. A apuração, que corre sob sigilo, busca identificar a origem das informações que teriam sido obtidas por meio de órgãos como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a Receita Federal.

O inquérito foi instaurado por iniciativa do próprio Moraes, sem que houvesse solicitação prévia da Procuradoria-Geral da República (PGR) ou da Polícia Federal (PF). Embora incomum, a abertura de investigações de ofício por um ministro do Supremo é permitida pelo Regimento Interno da Corte, especialmente quando o magistrado ocupa a presidência, como é o caso de Moraes durante o recesso judiciário.

Revelações sobre o Banco Master motivam a investigação

A abertura da investigação surge em um contexto de recentes revelações na imprensa sobre ligações entre familiares de ministros do STF e o Banco Master. A instituição financeira está sob escrutínio em um inquérito que tramita na própria Corte, sob relatoria do ministro Dias Toffoli, e que apura um escândalo de fraude financeira.

Entre os fatos divulgados estão a venda de uma participação em um resort no Paraná por irmãos e primos de Toffoli a um fundo ligado a Fabiano Zettel, cunhado e sócio de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Zettel e Vorcaro já foram alvo de mandados de busca e prisão temporária no inquérito relatado por Toffoli.

Adicionalmente, o jornal O Globo noticiou que o escritório de advocacia administrado por Viviane Barci, esposa de Alexandre de Moraes, firmou um contrato de R$ 129 milhões para representar o Banco Master. O acordo teria sido fechado antes da divulgação do escândalo de fraude financeira.

Arquivamento de pedido contra o ministro e sua esposa

No final de dezembro, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, arquivou um pedido para investigar Alexandre de Moraes e sua esposa no caso do Banco Master. Gonet justificou a decisão pela “absoluta ausência de lastro probatório mínimo que sustente a acusação formulada”, afirmando que a narrativa se manteve “no campo das suposições” e que não foram apresentados “elementos concretos ou indícios materiais”.

Sobre o contrato firmado pelo escritório de Viviane Barci, o procurador-geral considerou que, “a priori, não se vislumbra qualquer ilicitude que justifique intervenção”. Segundo Gonet, a representação carecia de “diligências prévias que lhes confiram consistência jurídica”, baseando-se apenas em matérias jornalísticas sem confirmação probatória autônoma.

Discussões sobre Lei Magnitsky e sugestão de código de conduta

Em outro desenvolvimento relacionado, o ministro Alexandre de Moraes informou que reuniões realizadas com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, abordaram exclusivamente a Lei Magnitsky, mecanismo aplicado pelos Estados Unidos contra o magistrado. O Banco Central confirmou que as discussões trataram dos efeitos dessa legislação.

As recentes revelações em torno do caso Master também levaram o ministro Dias Toffoli a sugerir a criação de um código de conduta para magistrados de tribunais superiores, incluindo o STF, como uma das prioridades do tribunal para o ano.

Com informações da Agência Brasil