
O preço do ouro atingiu novos recordes no mercado internacional, com a onça troy ultrapassando a marca de US$ 5.280 e chegando a picos de US$ 5.326. Essa escalada expressiva, que representa uma valorização de mais de 90% nos últimos 12 meses e cerca de 22% apenas em 2026, reflete um aumento significativo no interesse por ativos considerados seguros em um cenário global de crescente incerteza.
A alta do ouro, acompanhada por um movimento semelhante no preço da prata, que também registrou valorizações expressivas, tem sido associada a uma série de fatores que abalam a confiança dos investidores e governos em moedas fiduciárias e mercados tradicionais.
Efeito Trump e Incertezas Geopolíticas
Especialistas apontam a política econômica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como um dos principais gatilhos para a instabilidade global. As tarifas impostas a parceiros comerciais e a retórica protecionista são vistas como um rompimento com o livre comércio, gerando desconfiança e receio de novas guerras comerciais. A cobiça pela Groenlândia e as ameaças a países aliados também contribuem para o clima de incerteza.
O conflito entre Ucrânia e Rússia, que se arrasta há anos, agrava ainda mais o cenário de turbulência. Diante desses riscos geopolíticos, o ouro e a prata são buscados como reservas de valor, ativos que historicamente preservam o poder de compra ao longo do tempo.
Busca por Estabilidade e Diversificação de Reservas
Em meio a esse panorama de instabilidade, investidores e governos correm para proteger seus patrimônios. O ouro e a prata são vistos não apenas como investimentos com potencial de segurança, mas também como ativos que trazem menos volatilidade para as carteiras. Bancos centrais ao redor do mundo, incluindo o Banco Central do Brasil, têm ampliado suas reservas em ouro para diversificar seus ativos e reduzir a dependência de moedas fiduciárias.
O Banco Central brasileiro, por exemplo, aumentou suas reservas de ouro em 33% entre janeiro de 2025 e dezembro, elevando o valor de US$ 11,7 bilhões para US$ 23,9 bilhões. Esse movimento reflete a busca por ativos com valor intrínseco, que não dependem da estabilidade de governos ou sistemas financeiros.
Ouro como Indicador e Proteção contra Volatilidade
A valorização expressiva do ouro, que rompeu a barreira histórica de US$ 5 mil, transforma o metal em um componente de rentabilidade agressivo, além de sua função de proteção patrimonial. Paralelamente, a alta do ouro funciona como um termômetro da saúde do dólar. A desconfiança na moeda americana, evidenciada pela queda do índice DXY, corrobora a busca por alternativas de investimento mais seguras.
Outros fatores estruturais, como o alto endividamento de países e a possível bolha no mercado de inteligência artificial, também impulsionam a busca por metais preciosos como proteção contra correções abruptas em outros mercados.
Com informações da Agência Brasil







