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segunda-feira, 20 de abril de 2026
Economia Juros médios sobem para famílias e empresas em janeiro, aponta Banco Central

Juros médios sobem para famílias e empresas em janeiro, aponta Banco Central

Os juros médios cobrados de famílias e empresas registraram alta em janeiro deste ano, de acordo com as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pelo Banco Central (BC). Para pessoas físicas, a taxa média de juros atingiu 61% ao ano, com um aumento de 0,9 ponto percentual (p.p.) no mês e de 6,7 p.p. em 12 meses.

Destaques nas taxas para pessoas físicas

O cartão de crédito parcelado apresentou uma elevação significativa, com a taxa subindo 6,8 p.p. no mês e 17,7 p.p. em 12 meses, alcançando 194,9% ao ano. Essa modalidade se aplica após 30 dias de utilização do crédito rotativo.

Apesar de ter recuado 13,7 p.p. no mês e 26,3 p.p. em 12 meses, o crédito rotativo do cartão de crédito ainda opera com os juros mais elevados do mercado, a 424,5% ao ano em janeiro. Ele é acionado quando o consumidor paga menos que o valor total da fatura.

Outras operações para pessoas físicas que tiveram alta nos juros em janeiro foram o crédito pessoal não consignado (1,5 p.p.), o financiamento para aquisição de veículos (1,3 p.p.) e o crédito pessoal consignado para trabalhadores do setor privado (1,2 p.p.).

Aumento nos juros para empresas

Para as empresas, a taxa média de juros ficou em 25,2% ao ano no fim de janeiro. Houve um acréscimo de 1,6 p.p. no mês e de 1,1 p.p. em 12 meses.

Esse desempenho foi influenciado pelo aumento sazonal nas taxas de desconto de duplicatas e outros recebíveis (0,9 p.p.), além de modalidades como capital de giro com prazo superior a 365 dias (1,8 p.p.), cheque especial (25,9 p.p.) e cartão rotativo (63,9 p.p.).

Crédito livre e direcionado

As taxas mencionadas referem-se ao crédito livre, onde os bancos definem os juros. Já o crédito direcionado, com regras governamentais, destina-se a setores como habitação, rural e microcrédito.

No crédito direcionado, a taxa média para pessoas físicas ficou em 11,2% ao ano, estável no mês e com leve queda de 0,1 p.p. em 12 meses. Para empresas, os juros subiram 0,8 p.p. no mês, mas caíram 0,7 p.p. em 12 meses, totalizando 13% ao ano.

Juros bancários e Selic

Considerando todos os tipos de crédito, a taxa média de juros para novas contratações chegou a 32,8% ao ano em janeiro, com aumento de 0,7 p.p. no mês e 2,9 p.p. em 12 meses.

A alta dos juros bancários acompanha a taxa básica de juros da economia, a Selic, que está em 15% ao ano. O BC utiliza a Selic para controlar a inflação, encarecendo o crédito e estimulando a poupança.

O spread bancário, que representa a diferença entre o custo de captação dos bancos e as taxas cobradas dos clientes, situou-se em 21,9 p.p., com aumento de 0,8 p.p. no mês e 3,5 p.p. em 12 meses.

Concessão e estoque de crédito

Em janeiro, as concessões de crédito totalizaram R$ 651,5 bilhões, um aumento de 1,5% no mês. As operações com pessoas jurídicas cresceram 2,2% e com pessoas físicas, 1,6%.

O estoque total de empréstimos concedidos pelos bancos atingiu R$ 7,115 trilhões, com redução de 0,2% em janeiro e alta de 10,1% em 12 meses. As carteiras de crédito para empresas e famílias fecharam o mês com saldos de R$ 2,654 trilhões e R$ 4,460 trilhões, respectivamente.

Endividamento e inadimplência

A inadimplência, com atrasos acima de 90 dias, foi de 4,2% em janeiro. No segmento empresarial, o percentual foi de 2,6%, e no crédito às famílias, atingiu 5,2%.

O endividamento das famílias fechou 2025 em 49,7% em dezembro, com aumento de 1,3 p.p. no ano. Excluindo o financiamento imobiliário, o endividamento ficou em 31,2%.

O comprometimento da renda, que relaciona o valor médio das dívidas com a renda média, ficou em 29,2% em dezembro, com aumento de 1,7 p.p. no ano.

Com informações da Agência Brasil