
O governo federal anunciou o desenvolvimento de um projeto inovador chamado “Orçamento do Povo”, que permitirá à população influenciar diretamente a elaboração do Orçamento da União. A iniciativa, prevista para ser lançada no próximo mês, tem como objetivo principal estimular a participação cidadã na definição de como o dinheiro público será investido.
Cultura de Participação e Combate ao “Orçamento Secreto”
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, explicou que o projeto surge como uma alternativa à falta de transparência observada em mecanismos como o “orçamento secreto”, que em 2024 destinou R$ 61 bilhões em emendas parlamentares com pouca clareza sobre seu destino.
“A ideia é, justamente, criar essa cultura do povo apontar o dedo e decidir o que precisa no seu município, qual a prioridade”, afirmou Boulos em entrevista ao programa Bom dia, Ministro, do Canal Gov. Ele ressaltou que, embora o Orçamento de 2026 já esteja aprovado, o primeiro ano da iniciativa servirá como um período didático para familiarizar a população com o processo.
Como Funcionará o “Orçamento do Povo”
Com o “Orçamento do Povo”, cada cidadão terá a oportunidade de votar em uma proposta para ser implementada em sua cidade. O plano inicial é alcançar cerca de 400 municípios, incluindo todas as capitais, já em seu primeiro ano de operação. Cada localidade terá um orçamento definido, com recursos provenientes de ministérios que aderirem à iniciativa. Sete pastas já confirmaram participação.
Boulos deu exemplos práticos de como a participação cidadã poderá direcionar investimentos. “Por exemplo, a Saúde já ia gastar com ambulância do Samu. Então, uma parte desse gasto vamos deixar o povo definir quais são as cidades prioritárias. Então, você vai ter, por exemplo, R$ 1 milhão para ambulância ou vai poder escolher praças com Wi-Fi, que é um projeto do Ministério da Comunicação; ou escolher salas de aula com ar-condicionado, que é um projeto de climatização das escolas do Ministério da Educação; ou tantos MovCEU, que é um projeto do Ministério da Cultura de levar a cultura itinerante para as comunidades”, detalhou.
O ministro enfatizou que a proposta mais votada pela população será a que o governo se comprometerá a executar. “Quando você cria essa cultura – de botar o dedo e dizer para onde vai o dinheiro – ninguém segura mais o povo. E é isso que a gente quer”, concluiu Boulos.
Com informações da Agência Brasil







