
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou para baixo a projeção de crescimento da economia brasileira em 2026, fixando-a em 1,6%. A decisão contrasta com a elevação das estimativas para a economia global e coloca o Brasil entre os poucos grandes países com revisão negativa. Segundo o relatório “Perspectiva Econômica Global”, divulgado nesta segunda-feira (19), o principal motivo para o corte é a manutenção de uma política monetária restritiva no país, essencial para o controle da inflação.
Impacto dos Juros Elevados na Atividade Econômica
As estimativas anteriores, divulgadas em outubro, já indicavam um cenário desafiador, mas a nova projeção reflete os efeitos defasados do aperto monetário. A taxa básica de juros, a Selic, permanece em 15% ao ano, o maior patamar em quase duas décadas, e tem se mantido nesse nível desde agosto de 2025. O FMI explica que essa política, adotada para conter a inflação elevada do ano passado, tem um impacto direto na expansão da atividade econômica no curto prazo. Embora o Fundo espere uma leve melhora para 2025 e 2027, o custo elevado do crédito continua sendo um freio significativo para o crescimento brasileiro.
Cenário Global Divergente e Alerta sobre Concentração de Crescimento
Em contrapartida ao desempenho brasileiro, o cenário econômico global foi revisado para cima, impulsionado principalmente pelos avanços em tecnologia e inteligência artificial (IA). O economista-chefe do FMI, Pierre-Olivier Gourinchas, destacou a resiliência da economia mundial, que tem se recuperado de distúrbios comerciais e tarifários. No entanto, o FMI alerta que esse crescimento global está concentrado em poucos países e setores, especialmente aqueles ligados à IA. A não confirmação das expectativas de ganhos de produtividade pode levar a correções nos mercados financeiros. Na América Latina e Caribe, a projeção de crescimento para 2026 é de 2,2%, e para economias emergentes e em desenvolvimento, de 4,2%, evidenciando o caráter isolado da revisão negativa para o Brasil.
Com informações da Agência Brasil







