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Dólar ultrapassa R$ 5,30 e Ibovespa cai 2,25% em dia de tensão global

O dólar comercial fechou o dia cotado a R$ 5,309, registrando uma alta de R$ 0,093 (+1,79%) nesta sexta-feira (20). A moeda americana atingiu seu maior nível desde 13 de março, impulsionada pela aversão global ao risco diante do agravamento do conflito no Oriente Médio e do avanço dos preços de energia.

Instabilidade nos mercados

O índice Ibovespa, principal indicador da B3, também sentiu a pressão, encerrando o pregão em queda de 2,25%, aos 176.219 pontos. Este é o menor patamar do índice desde 22 de janeiro, refletindo a cautela dos investidores.

A bolsa brasileira acumula uma perda de 6,66% em março, marcando a quarta semana consecutiva de desvalorização.

Pressão externa e juros nos EUA

A valorização global do dólar e o aumento das taxas de juros nos Estados Unidos contribuíram para o cenário de instabilidade. Investidores reavaliam as expectativas para a política monetária do Federal Reserve (Fed), o Banco Central americano, diante do risco inflacionário provocado pela alta nos preços de energia.

As taxas dos títulos do Tesouro dos EUA avançaram, pressionando ativos de maior risco, especialmente em economias emergentes como a brasileira.

Guerra no Oriente Médio e petróleo em alta

O agravamento das tensões envolvendo o Irã elevou a incerteza global. Informações sobre um possível envio de tropas americanas e ameaças de interrupção no fornecimento de petróleo ampliaram a cautela nos mercados.

O risco de bloqueio do Estreito de Ormuz, rota crucial para o transporte de petróleo, intensifica os temores de um choque prolongado nos preços da commodity.

Os contratos internacionais de petróleo Brent ultrapassaram US$ 112 por barril, com alta de mais de 3% no dia, chegando a atingir US$ 115. Relatórios indicam que, em caso de interrupção prolongada no fluxo, os preços podem permanecer elevados por meses, impactando a inflação global.

Impacto no Brasil

No mercado doméstico, o real apresentou um dos piores desempenhos entre as moedas emergentes, com saída de recursos e redução de posições em ativos locais.

A alta dos juros globais e a incerteza externa também afetaram a bolsa brasileira, com quedas disseminadas em setores sensíveis ao ciclo econômico e ao crédito, como construção civil e varejo.

Com informações da Reuters