
A Dívida Pública Federal (DPF) do Brasil registrou um expressivo aumento de 18% em 2025, alcançando o montante de R$ 8,635 trilhões ao final do ano. O crescimento, que partiu de R$ 7,316 trilhões no encerramento de 2024, foi impulsionado principalmente pela incorporação de juros, que somaram R$ 879,9 bilhões, e por uma emissão líquida de títulos públicos superior aos resgates em R$ 439,06 bilhões.
Apesar da elevação, o saldo final da DPF ficou dentro das metas estabelecidas pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) para 2025, que previa um intervalo entre R$ 8,5 trilhões e R$ 8,8 trilhões. É importante notar que o PAF sofreu uma revisão em setembro do ano passado, com o documento original estipulando um teto de R$ 8,5 trilhões para o endividamento ao final de 2025.
Dívida Interna em Títulos Cresce Mais de 19%
A Dívida Pública Mobiliária Interna (DPMFi), composta por títulos emitidos no mercado doméstico, apresentou uma expansão de 19,26% em 2025. O valor saltou de R$ 6,967 trilhões para R$ 8,309 trilhões. Somente em dezembro, a DPMFi avançou 1,76%, reflexo da emissão líquida de R$ 60,82 bilhões em títulos, majoritariamente atrelados à Taxa Selic, além da apropriação de R$ 82,82 bilhões em juros.
A apropriação de juros ocorre mensalmente, quando o governo reconhece e incorpora ao estoque da dívida a correção devida sobre os títulos. Com a Taxa Selic em 15% ao ano, esse mecanismo exerce pressão significativa sobre o endividamento público.
Dívida Externa Diminui com Queda do Dólar
Em contrapartida, a Dívida Pública Federal Externa (DPFe) apresentou uma retração de 6,62% em 2025, recuando de R$ 349,19 bilhões para R$ 326,07 bilhões. A queda foi favorecida pela desvalorização do dólar ao longo do ano. No entanto, em dezembro, o indicador teve uma alta pontual de 3,53%, atribuída à valorização da moeda americana no mês e ao aumento das remessas de divisas para o exterior antes da implementação de mudanças no Imposto de Renda.
Colchão da Dívida e Composição dos Títulos
O “colchão” da dívida pública, que representa a reserva financeira para cobrir despesas em momentos de turbulência ou vencimentos concentrados, apresentou uma leve queda em dezembro, passando de R$ 1,213 trilhão para R$ 1,187 trilhão. A baixa emissão líquida no mês foi o principal fator para essa redução.
Atualmente, essa reserva cobre 7,33 meses de vencimentos da dívida pública, com R$ 1,507 trilhão em títulos federais com vencimento previsto para os próximos 12 meses. A composição da DPF em dezembro mostrou um aumento na participação de títulos vinculados à Selic (48,25%), enquanto títulos corrigidos pela inflação e prefixados tiveram ligeiras reduções.
Prazo e Detentores da Dívida
O prazo médio da Dívida Pública Federal diminuiu de 4,08 anos em novembro para 4 anos em dezembro. Prazos menores podem indicar menor confiança dos investidores na capacidade do governo de honrar seus compromissos a longo prazo.
Em relação aos detentores da Dívida Pública Federal interna, as instituições financeiras lideram com 32,88% do estoque, seguidas por fundos de pensão (22,76%) e fundos de investimentos (20,79%). A participação de não residentes (estrangeiros) aumentou para 10,35% em dezembro, revertendo parte da queda observada em novembro.
Com informações da Agência Brasil







