
O agravamento das tensões no Oriente Médio pode resultar em um aumento nas exportações de combustíveis do Brasil, segundo avaliação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic). Conflitos na região historicamente pressionam o preço do petróleo no mercado internacional, beneficiando países exportadores como o Brasil.
Impacto nos combustíveis e alimentos
Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Mdic, explicou que o Brasil, como exportador líquido de petróleo, tende a ver o saldo de suas exportações de combustíveis aumentar com a alta do preço do produto. Essa dinâmica, no entanto, pode ter um impacto temporário negativo nas vendas de alimentos brasileiros para o Oriente Médio.
Países do Oriente Médio são compradores importantes de produtos como carne de frango, milho, açúcar e produtos halal. Brandão ressaltou que a demanda por esses alimentos não deve desaparecer, e os fluxos comerciais tendem a se normalizar após o período de instabilidade. Dados do Mdic indicam que cerca de 32% das exportações brasileiras de milho e 30% da carne de aves têm o Oriente Médio como destino.
Balança comercial com outros parceiros
A balança comercial brasileira também apresentou mudanças significativas em relação a outros parceiros comerciais importantes.
Estados Unidos
As exportações para os Estados Unidos registraram uma queda de 20,3% em fevereiro em relação ao ano anterior, totalizando US$ 2,523 bilhões. As importações também recuaram, resultando em um saldo comercial negativo de US$ 265 milhões. Essa é a sétima queda consecutiva nas vendas ao mercado americano, associada a uma sobretaxa imposta anteriormente pelo governo dos EUA, cujos efeitos na balança comercial devem se manifestar nos próximos meses.
China
Em contrapartida, as exportações para a China apresentaram forte crescimento em fevereiro, atingindo US$ 7,220 bilhões, um aumento de 38,7% em relação ao mesmo mês de 2025. As importações da China caíram 31,3%, resultando em um superávit de US$ 1,73 bilhão na balança comercial com o país asiático. A compra de uma plataforma de petróleo, adquirida da Coreia do Sul, impactou as estatísticas de importação.
União Europeia e Argentina
As exportações para a União Europeia cresceram 34,7% em fevereiro, com um superávit de US$ 931 milhões. Já o comércio com a Argentina mostrou retração em ambos os sentidos, com exportações e importações em queda, mas ainda assim com um superávit para o Brasil de US$ 207 milhões.
Com informações da Agência Brasil







