
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou nesta terça-feira (25) a ata de sua última reunião, sinalizando o fim do ciclo de cortes na taxa básica de juros, a Selic. A decisão reflete um cenário de crescente incerteza no ambiente internacional, agravado por tensões geopolíticas e novas dúvidas sobre a política econômica dos Estados Unidos, além de preocupações com a saúde das contas públicas no Brasil.
Impacto da Incerteza Global e Doméstica
Até o início de conflitos recentes, as projeções indicavam um arrefecimento da inflação e um crescimento econômico compatível com a política monetária vigente. Isso levou o Copom a julgar adequado, em janeiro, sinalizar o início de um ciclo de calibração da taxa básica de juros. No entanto, a ata revela que a incerteza com relação ao cenário externo se elevou consideravelmente, impactando a visão do colegiado.
Cenário Fiscal e Confiança do Investidor
O Banco Central reiterou que a saúde das contas públicas é um fator determinante para o sucesso no controle da inflação. Segundo a instituição, a política fiscal não apenas estimula a demanda no curto prazo, mas também molda a confiança dos investidores na sustentabilidade da dívida brasileira. Uma política fiscal contracíclica é vista como essencial para reduzir o chamado “prêmio de risco”, que é a exigência de juros mais altos pelo mercado em momentos de incerteza sobre o pagamento da dívida pública.
Riscos para a Política Monetária
A ata destacou que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento do crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra da economia. Isso teria impactos negativos sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo da desinflação em termos de atividade econômica.
Histórico da Selic
Desde junho do ano passado, a Selic estava em 15% ao ano. A última redução ocorreu em maio de 2024, quando a taxa caiu de 10,75% para 10,5% ao ano. Em setembro do mesmo ano, a taxa começou a ser elevada, atingindo os 15% anuais. A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Para este ano, a previsão do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu para 4,17%, de acordo com o último boletim do BC. Analistas também estimam que a Selic termine 2026 em 12,5% ao ano.
Com informações da Agência Brasil








