
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) projeta que o recém-aprovado acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia poderá injetar cerca de US$ 7 bilhões nas exportações brasileiras. Considerado o maior pacto econômico já selado entre os dois blocos, o acordo encerra mais de 25 anos de negociações e tem potencial para gerar efeitos imediatos na indústria nacional.
Indústria brasileira aposta em redução tarifária
A expectativa da ApexBrasil é que a indústria brasileira colha os frutos da redução de tarifas logo no início da vigência do acordo. Setores como máquinas e equipamentos de transporte, motores e geradores de energia elétrica, autopeças (incluindo motores de pistão) e aeronaves serão beneficiados com a eliminação imediata de impostos. Além disso, produtos como couro e peles, pedras de cantaria, facas e lâminas, e itens da indústria química também apresentam oportunidades de crescimento.
O acordo também é visto como uma ferramenta para ampliar a diversificação da pauta exportadora do Brasil. Atualmente, mais de um terço das exportações brasileiras para a União Europeia são compostas por produtos da indústria de transformação, um segmento que tende a se fortalecer ainda mais com a diminuição das barreiras comerciais.
Impacto gradual em commodities e defesa de produtores europeus
Para as commodities, o impacto do acordo será mais gradual. O texto prevê a redução progressiva das tarifas para produtos como carne de aves, carne bovina e etanol, com a meta de zerar esses impostos em até 10 anos. No entanto, essa liberalização ocorrerá mediante o respeito a cotas e a mecanismos de salvaguarda, que permitem o monitoramento das importações e visam proteger os produtores rurais europeus.
Multilateralismo em destaque
O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, destacou a importância do acordo como uma vitória do multilateralismo em um cenário global de crescentes disputas comerciais e enfraquecimento de instituições internacionais. “Esse acordo segue no sentido contrário ao que o mundo está andando”, afirmou Viana, ressaltando que o pacto une um mercado com mais de 700 milhões de consumidores e um PIB combinado próximo de US$ 22 trilhões, superando o da China e ficando atrás apenas do dos Estados Unidos.
Com informações da Agência Brasil







