
A 29ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes abriu suas portas nesta sexta-feira (23) em um clima de celebração e otimismo, destacando o momento vibrante que o audiovisual brasileiro atravessa. Reunindo realizadores, produtores, artistas, representantes governamentais e imprensa, o evento reafirma seu papel como um polo essencial para o debate e o desenvolvimento do setor no país, combinando exibições de filmes com discussões críticas e articulação institucional.
Em seu discurso de abertura, a coordenadora-geral Raquel Hallak enfatizou o histórico compromisso da mostra com a pluralidade de vozes e estéticas. “Existe uma imaginação que emerge de muitos Brasis e propõe várias formas de existir. A mostra, desde que surgiu, decidiu apostar nesses novos protagonismos e possibilidades”, declarou, defendendo a regulação das plataformas de streaming, a ampliação das políticas públicas e o fortalecimento do cinema nacional como motor econômico.
Homenagem a Karine Teles e reflexões sobre a carreira artística
A cerimônia teve como ponto alto a homenagem à atriz e diretora Karine Teles, agraciada com o Troféu Barroco por sua trajetória consolidada por mais de duas décadas, marcada por escolhas autorais, versatilidade e dedicação à criação. Visivelmente emocionada e ao lado de sua família, Karine Teles compartilhou as dificuldades inerentes à permanência na área cultural. “Quem trabalha com cultura, com educação, com arte no nosso país sabe que a gente está o tempo todo recomeçando. São carreiras instáveis, imprevisíveis, numa montanha-russa frequente de emoções”, desabafou, acrescentando que “Persistir, ficar, é muito difícil. Não é nada valoroso, não é nada romântico. É muito duro.”.
Audiovisual como espelho da identidade nacional
A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, presente na abertura, ressaltou a relevância política e simbólica do audiovisual. “Vivemos um momento importantíssimo de projeção do cinema brasileiro no mundo. Isso significa algo mais profundo: somos um povo que sabe transformar memória, dor, alegria e luta em narrativa”, afirmou. Joelma Gonzaga, secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura, por sua vez, declarou oficialmente aberto o calendário audiovisual brasileiro, celebrando o recente reconhecimento internacional do cinema nacional. Vestindo uma camiseta em alusão ao filme “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, indicado ao Oscar, ela reforçou o papel crucial das políticas públicas. “Quando um filme do Brasil entra em cartaz, o Brasil inteiro entra em cartaz. E nesse momento o Brasil está em cartaz no mundo todo. Isso não é por acaso, é fruto de política pública”.
Fórum de Cinema debate políticas culturais e o futuro do setor
No sábado (24), teve início o Fórum de Cinema de Tiradentes, em sua quarta edição, dedicado à reflexão sobre políticas culturais, indústria e democracia. A abertura reuniu representantes do governo e produtores para a leitura de uma carta de princípios, elaborada pela produtora Débora Ivanov. O documento convoca o setor a se mobilizar em defesa das conquistas recentes e a planejar o futuro diante dos desafios atuais.
A carta apresentou um balanço do processo de reconstrução do setor a partir de 2023, destacando avanços como a restauração do Ministério da Cultura e da Secretaria do Audiovisual, a retomada do Fundo Setorial do Audiovisual, a reativação de programas de fomento, a renovação da Lei do Audiovisual e das cotas de tela, a implementação da Política Nacional Aldir Blanc, a realização da 4ª Conferência Nacional de Cultura e o restabelecimento da cooperação internacional. A execução de 97% da Lei Paulo Gustavo nos municípios brasileiros foi citada como evidência do interesse popular pelo audiovisual.
Contudo, o texto também apontou fragilidades estruturais e a necessidade de uma política sistêmica que integre União, estados e municípios, otimize processos e maximize os impactos econômicos, culturais e sociais. Entre os pontos de atenção estão a regulação dos serviços de streaming, a consolidação de uma política de Estado contínua e a garantia de acesso do público brasileiro aos conteúdos nacionais em todas as plataformas.
“Os desafios do audiovisual são desafios da nação brasileira na afirmação de um destino livre, democrático e soberano. Que venha 2026, a nossa marcha continua”, concluiu a mensagem do Fórum.
Com informações da organização do evento.







