
Um dos mais importantes pesquisadores da cultura popular e etnógrafos brasileiros, Edison Carneiro (1912-1972) teve um mural em sua homenagem inaugurado nesta sexta-feira (13), no Rio de Janeiro. A obra foi realizada pelo projeto Negro Muro, no terraço do Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), que abriga o Museu do Folclore Edison Carneiro, no Catete, zona sul da cidade.
No mural, o intelectual, apelidado de “intelectual feiticeiro” pelo amigo Jorge Amado, é retratado em Salvador, sua cidade natal, com seus livros e referências ao Partido Comunista.
Representações culturais e religiosas
Edison Carneiro também aparece representado como Exu, o Orixá que faz a ponte entre os mundos. Elementos da cultura popular brasileira, como um boizinho de barro, capoeiristas e um livro sobre o samba, também compõem a obra, celebrando as diversas manifestações que o etnólogo pesquisou e ajudou a difundir.
Carneiro é nome de referência nos estudos sobre relações étnico-raciais, folclore, cultura popular e religião afro-brasileira. Ele foi um percursor na defesa da liberdade religiosa, publicando artigos e textos acadêmicos sobre as religiões de matriz africana em uma época em que elas eram marginalizadas pela imprensa.
A obra do Negro Muro
O projeto Negro Muro, de arte urbana, contou com o apoio do Museu do Folclore, unidade do CNFCP que foi dirigido por Carneiro entre 1960 e 1964. O pesquisador Pedro Rajão, da equipe do projeto, destacou a importância de homenagear o folclorista em um local que também foi sua casa profissional.
A inauguração do mural, a 77ª do Negro Muro, coincide com o número de Exu no candomblé, um detalhe que celebra a conexão do etnólogo com a cultura afro-brasileira. A obra apresenta oferendas, galinhas, figuras mitológicas e uma mãe de santo, além de elementos pessoais de Carneiro, como uma pequena imagem de Exu e seus livros “A Carta do Samba” (1962) e “Quilombo dos Palmares” (1947).
Expansão do Museu do Folclore
Durante a inauguração, foi firmado um acordo para a ampliação do Museu do Folclore, por meio de uma parceria entre o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). A nova unidade será construída nos jardins do Museu da República.
Com informações da Agência Brasil







