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Brasil se prepara para noite do Oscar com festas e expectativa em alta

Em clima de celebração e com grande expectativa, o Brasil se prepara para a noite do Oscar. Em diversas cidades, a premiação será acompanhada coletivamente, um fenômeno que tem crescido nos últimos anos e que reflete o momento atual do cinema nacional. No Rio de Janeiro, o produtor e exibidor Cavi Borges, do Grupo Estação e da Cavideo, organiza mais uma vez uma grande festa para a transmissão, evento que já completa 25 anos e que em 2023 reuniu quase duas mil pessoas.

Crescimento do evento e o “efeito Estação”

O que começou há mais de duas décadas de forma quase improvisada, como uma pequena reunião cinéfila, ganhou proporções inesperadas. “No ano passado, foi o ápice: quase duas mil pessoas. Cinco salas lotadas e um telão no saguão. Quando o Brasil ganhou o Oscar, o cinema tremeu. Foi histórico”, relembra Borges.

Para a edição de 2026, a expectativa é ainda maior, com planos de bolão de apostas, quiz cinéfilo, concurso de sósias de Wagner Moura e transmissão simultânea em salas do Estação Net Rio e do Estação Net Botafogo. Borges vê nesse movimento um reflexo direto do bom momento do cinema brasileiro.

“Muita gente que não frequentava cinema de arte começou a aparecer. Pessoas que iam ao shopping ver blockbuster foram à Estação para ver Ainda Estou Aqui ou O Agente Secreto. E quando chegam lá descobrem um monte de outros filmes”, explica.

“O Agente Secreto” e o soft power brasileiro

O filme O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho e estrelado por Wagner Moura, tornou-se um caso raro de filme autoral que dialoga com o público sem abrir mão de sua identidade estética. Com mais de 2,4 milhões de espectadores, é o filme brasileiro mais visto entre os indicados ao Oscar deste ano. Kleber Mendonça Filho tem demonstrado nas redes sociais uma mistura de celebração e responsabilidade, agradecendo a “energia incrível” do público e destacando a importância das políticas públicas de incentivo ao audiovisual.

O cineasta vê a presença do filme no Oscar como uma forma de “soft power brasileiro”, a capacidade do país de projetar sua cultura e identidade no palco global. Ao mesmo tempo, reconhece a pressão e o “medo de decepcionar” diante da enorme expectativa nacional.

Nova categoria pode ser histórica para o Brasil

Especialistas apontam a nova categoria de Melhor Direção de Elenco, criada pela Academia em 2024 e inaugurada nesta edição, como uma oportunidade histórica para o Brasil. O brasileiro Gabriel Domingues foi indicado pelo seu trabalho em O Agente Secreto, responsável pela seleção de mais de 60 atores.

Embora veículos especializados americanos apontem “Pecadores”, de Ryan Coogler, como possível grande vencedor, publicações de cinema independente como o IndieWire colocaram O Agente Secreto no topo do ranking entre os indicados a Melhor Filme. A torcida brasileira se concentra em Wagner Moura, que chega à disputa com forte capital simbólico após sua vitória no Globo de Ouro.

O entusiasmo no Brasil vai além de números e estatísticas, capturando uma mobilização afetiva sem precedentes. Nunca tantos portais, canais de cinema, podcasts e perfis nas redes sociais acompanharam tão intensamente a temporada de premiações, refletindo um momento raro em que o cinema brasileiro volta a se ver no centro da conversa mundial.

Com informações da Agência Brasil