
A cidade do Rio de Janeiro celebra nesta sexta-feira, 20 de janeiro, o dia de seu padroeiro, São Sebastião. A data, marcada por missas e pela tradicional procissão, é um momento de devoção para milhares de fiéis e também de reflexão sobre a rica história da fundação da cidade e a figura do santo.
A escolha de São Sebastião como padroeiro está intrinsecamente ligada à própria história da fundação do Rio de Janeiro. A cidade foi oficialmente estabelecida por Estácio de Sá em 1º de março de 1565, e o nome em homenagem ao rei D. Sebastião de Portugal e seu padroeiro. No entanto, foi em 20 de janeiro de 1567, com a expulsão dos franceses que haviam se instalado na região, que a data ganhou força como celebração do santo.
A Lenda e o Martírio de São Sebastião
Segundo a tradição, São Sebastião teria aparecido em meio à batalha que expulsou os invasores franceses, empunhando uma espada e inspirando os combatentes portugueses, mamelucos e indígenas. Este episódio consolidou sua imagem como protetor e guerreiro.
São Sebastião foi um mártir romano dos primeiros séculos do cristianismo. Nascido na França e criado na Itália, ingressou no exército romano e ascendeu a comandante da guarda do imperador Diocleciano. Secretamente cristão, dedicava-se a visitar e consolar os cristãos presos, que aguardavam para serem executados. Sua fé, no entanto, foi descoberta, e ele foi condenado a ser alvejado por flechas, morrendo por volta do ano 287.
Do Culto Romano à Devoção Carioca
O culto a São Sebastião se intensificou no século IV, com a construção de uma basílica em Roma para abrigar suas relíquias. Acredita-se que a epidemia de peste que assolava a cidade na época tenha desaparecido após o translado de seus restos mortais, reforçando sua proteção contra doenças, fome e guerra.
Nas últimas décadas, São Sebastião também se tornou um ícone para comunidades LGBTQIA+, simbolizando resistência e beleza.
Sincretismo Religioso: São Sebastião e Oxóssi
No Brasil, a figura de São Sebastião transcende o catolicismo e se manifesta no sincretismo religioso afro-brasileiro, onde é associado ao orixá Oxóssi. Oxóssi, divindade das matas, da caça, da fartura e do conhecimento, também é o senhor dos espíritos dos caboclos, ancestrais indígenas que atuam na cura e orientação.
A ligação entre São Sebastião e Oxóssi se dá por diversos fatores: ambos são guerreiros, ligados à natureza e ao uso da flecha. A flecha de Oxóssi, assim como o martírio de São Sebastião, simboliza a precisão, a conquista de objetivos e a proteção contra o mal. A celebração de ambos no mesmo dia, 20 de janeiro, reforça essa conexão espiritual.
Com informações da Agência Brasil







