
O padre Júlio Lancellotti criticou a influência do mercado imobiliário na gestão da cidade de São Paulo. A declaração ocorreu durante sua participação no programa Alô Alô Brasil, da Rádio Nacional, onde abordou a polêmica sobre o possível fechamento do Núcleo de Convivência São Martinho de Lima, fundado por ele.
Entenda o caso do Núcleo de Convivência
O Centro Comunitário São Martinho de Lima, com 36 anos de existência, atende diariamente cerca de 400 pessoas em situação de vulnerabilidade com refeições. Atualmente, a gestão do núcleo é feita pelo Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto, em convênio com a prefeitura.
Inicialmente, a prefeitura de São Paulo anunciou no início de março o fechamento do núcleo, localizado no Belenzinho, Zona Leste, alegando uma “requalificação da rede socioassistencial”. A promessa era que os frequentadores seriam realocados e continuariam recebendo alimentação.
No entanto, após repercussão e a abertura de um inquérito pelo Ministério Público de São Paulo para investigar o caso, a prefeitura divulgou nesta quarta-feira (11) que não encerrará as atividades do centro, mas sim buscará um “aperfeiçoamento dos serviços prestados”.
Especulação imobiliária e moradia como problema social
Durante a entrevista, o radialista Agostinho Teixeira questionou se a especulação imobiliária estaria por trás do interesse no fechamento do núcleo, considerando a valorização da área onde o centro está localizado.
Padre Júlio Lancellotti destacou que a Campanha da Fraternidade deste ano aborda a questão da moradia, um dos “problemas mais sérios hoje da realidade urbana de São Paulo e nas grandes capitais brasileiras”.
O sacerdote relatou ter conversado com o prefeito Ricardo Nunes, a quem disse que “quem governa São Paulo é o mercado imobiliário, é a especulação imobiliária”. Segundo ele, o Plano Diretor e as autorizações concedidas pela Câmara Municipal “privilegiam a moradia dos grandes condomínios”.
Lancellotti enfatizou a importância de olhar para os indivíduos atendidos, ressaltando que “a população de rua não são anjos e nem demônios, são pessoas. Que têm seus problemas e suas limitações”.
Com informações da Agência Brasil







