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terça-feira, 7 de abril de 2026
Brasil Moradores de Perus acusam fraude em audiência pública sobre novo incinerador

Moradores de Perus acusam fraude em audiência pública sobre novo incinerador

Moradores do distrito de Perus, na Zona Norte de São Paulo, acusam a prefeitura de fraude na condução de uma audiência pública sobre a instalação de um novo incinerador na região. Segundo relatos, o evento, realizado no CEU Perus, teve sua capacidade máxima atingida e cerca de 500 pessoas foram impedidas de participar, mesmo com a instalação de televisores na área externa. Sob chuva, muitos, incluindo crianças, aguardaram sem conseguir adentrar o local.

Tensão e alegações de hostilidade

A situação se agravou com a presença de agentes da Guarda Civil Metropolitana (GCM) armados, que, segundo relatos, agiram com hostilidade e chegaram a impedir a fala de vereadores. A prefeitura negou o uso de equipamentos de menor potencial ofensivo. Representantes da Terra Indígena do Jaraguá, que tem laços históricos com Perus, também tiveram dificuldades em acessar o evento.

Projeto polêmico e preocupações ambientais

Lideranças locais, como o engenheiro químico Mario Bortoto, argumentam que o projeto do novo incinerador é ultrapassado e representa riscos à saúde devido às cinzas tóxicas e ao aumento do tráfego de caminhões. Bortoto também destacou a precariedade da infraestrutura de saúde, moradia e educação na região, ligando-a a um histórico de preconceito e má reputação entre os paulistanos.

A consultora da WWF Brasil e química Thais Santos criticou a condução da audiência, classificando-a como “manipulação de informação” e “manipulação da audiência”. Ela ressaltou que o horário do evento coincidia com o expediente da maioria dos trabalhadores, limitando a participação popular.

Alternativas e histórico da região

Em contrapartida ao incinerador, moradores e ambientalistas propõem a criação de um Território de Interesse de Cultura e da Paisagem Jaraguá-Perus-Anhanguera. A região de Perus possui um histórico marcado por eventos como a Vala Clandestina do Cemitério Dom Bosco e a proximidade com o Hospital Psiquiátrico do Juquery, além de ter uma das menores expectativas de vida da capital paulista, segundo o Mapa da Desigualdade.

Posicionamento das autoridades e empresas

A Cetesb informou que as colocações feitas na audiência serão consideradas no processo de licenciamento ambiental. A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) do estado de São Paulo e a concessionária Loga afirmaram que as Unidades de Recuperação de Energia (UREs) são instalações modernas, sem riscos à população, e que o projeto visa reduzir o volume de resíduos, gerar energia e empregos.

A SP Regula e a Loga reforçaram a importância da participação popular e negaram ter oferecido vantagens a lideranças ou participantes. Afirmaram que a presença do público foi espontânea e respeitou os limites de capacidade e normas de segurança, reiterando o compromisso com a transparência e o diálogo, e pedindo que o debate se baseie em dados técnicos e oficiais.

Com informações da Agência Brasil