
Fortes ventanias causaram estragos e mortes no Rio de Janeiro e em São Paulo na última quarta-feira (29). Uma estação meteorológica na capital fluminense registrou rajadas de até 105 km/h.
Segundo Suellen Araujo, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o evento foi causado por uma zona de baixa pressão atmosférica na região, associada a um fenômeno chamado “escoamento” nas camadas superiores da atmosfera.
Marcelo Seluchi, coordenador do Centro Nacional de Monitoramento e Alerta de Desastres Naturais (Cemaden), explicou que as rajadas se formaram a partir de uma linha de estabilidade, uma sequência de tempestades alinhadas sobre uma frente fria vinda da Região Sul.
El Niño: influência indireta e difícil comprovação
Tanto o Inmet quanto o Cemaden avaliam que não é possível, no momento, associar diretamente as ventanias ao fenômeno El Niño, que consiste no aquecimento das águas do Oceano Pacífico e afeta o clima global.
Embora se espere um El Niño mais intenso este ano, com potencial para ser o mais forte em 76 anos segundo a NOAA (Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos), a relação com os ventos fortes em Rio e São Paulo necessita de estudos mais aprofundados.
Frentes estacionárias e efeitos secundários
Seluchi ressalta que a frequência de frentes estacionárias na Região Sul, que têm relação com o El Niño e causam chuvas mais volumosas, pode ter uma influência indireta. A linha de instabilidade que gerou a ventania seria um efeito secundário dessas frentes.
No entanto, ele enfatiza que linhas de instabilidade e rajadas de vento são fenômenos que podem ocorrer em qualquer época do ano, independentemente de El Niño.
O meteorologista Thiago Sousa, da Uerj, corrobora a necessidade de mais estudos para estabelecer uma vinculação conclusiva entre a ventania e o El Niño, especialmente em um contexto de “Super El Niño”.
Com informações da Agência Brasil








