
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) apresentou mais duas denúncias contra dez policiais militares envolvidos em crimes durante a Operação Contenção, realizada em outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão. Os agentes, pertencentes ao Batalhão de Ações com Cães (BAC), são acusados de invasão a domicílios e de obstruir o uso de câmeras corporais.
A Operação Contenção, considerada a mais letal da história do estado, teve como objetivo conter o Comando Vermelho e resultou em 122 mortes, incluindo cinco policiais. A ação, que mobilizou 2,5 mil agentes, tem sido criticada por supostamente desrespeitar recomendações do Supremo Tribunal Federal (STF) para operações em favelas e por não enfraquecer a estrutura do crime organizado.
Invasão de residências e consumo de bens
Dez policiais foram denunciados pelo crime de invasão de residências e estabelecimentos comerciais sem autorização judicial ou consentimento. Segundo a 2ª Promotoria de Justiça, os agentes usaram ferramentas como chaves mestras, facões e chaves de fenda para acessar os imóveis. Relatos indicam que os policiais chegaram a consumir produtos encontrados nas geladeiras das casas invadidas.
“As imagens analisadas pelo MPRJ mostram, ainda, que alguns agentes circularam pelos cômodos das casas, vasculharam objetos e consumiram produtos”, informou o órgão ministerial.
Manipulação de câmeras corporais
Em uma segunda denúncia separada, o MPRJ detalha que cinco policiais do mesmo grupo manipularam suas câmeras operacionais portáteis, desobedecendo a ordem de uso obrigatório do equipamento. A análise das gravações revelou que os equipamentos foram posicionados de forma inadequada ou direcionados para locais que impediam a visualização.
“A análise das gravações demonstrou que, em vários momentos, os equipamentos foram posicionados de forma inadequada e direcionados para locais que impediam a visualização”, consta na denúncia.
Histórico de denúncias na Operação Contenção
Desde o início das investigações sobre a Operação Contenção, o MPRJ já apresentou oito denúncias contra 19 policiais militares. As acusações anteriores incluíam a apropriação de um fuzil abandonado, de peças de um carro, invasões a domicílio, constrangimento de moradores e subtração de bens. Denúncias por obstrução ou desligamento das câmeras corporais também foram registradas.
Os casos serão julgados pela Auditoria Militar.
Letalidade e repercussão
A Operação Contenção, marcada pela alta letalidade, resultou em 113 prisões, sendo 33 de pessoas de fora do Rio. Foram apreendidas 118 armas e 1 tonelada de drogas. Moradores, familiares das vítimas e organizações de direitos humanos classificaram a operação como uma “chacina”, com relatos de corpos apresentando sinais de execução.
O governo do estado, por outro lado, declarou a operação um “sucesso”. O governador Cláudio Castro afirmou que os mortos reagiram em legítima defesa e que as únicas vítimas foram os cinco policiais. Nesta quarta-feira (11), a operação foi tema de audiência na Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que já havia condenado a ação por não reduzir a criminalidade e aumentar o risco para civis. A audiência visa emitir recomendações ao Brasil.
Com informações da Agência Brasil







