
Sete anos após o rompimento da barragem da mineradora Vale em Brumadinho, que causou a morte de 272 pessoas, um ato simbólico na Avenida Paulista, em São Paulo, reuniu familiares e ativistas para clamar por justiça e alertar sobre a necessidade de prevenção. Helena Taliberti, mãe de Camila e Luiz Taliberti, vítimas fatais do desastre, expressou a dor e a frustração com a morosidade do processo e a ausência de punição criminal.
O evento, promovido pelo Instituto Camila e Luiz Taliberti, contou com uma oficina de argila para crianças, um gesto que simboliza a conexão com a terra e a esperança de um futuro mais seguro. Helena, visivelmente emocionada, destacou a importância de educar as novas gerações sobre a preservação ambiental e a necessidade de criar “nichos de respiro” nas cidades, como a Mata Atlântica que cobre São Paulo.
Sirene silenciada e lições ignoradas
Um dos momentos mais marcantes do ato foi o toque de uma sirene às 12h28, horário exato do rompimento da barragem. A iniciativa serviu para lembrar que o sistema de alerta falhou, impedindo que a população fosse avisada a tempo. Helena ressaltou que as investigações apontaram que a Vale tinha conhecimento dos problemas na barragem, mas negligenciou a manutenção adequada, tornando a tragédia evitável.
“A importância de chamarmos a atenção para essa tragédia é para que ela não se repita e, mais do que isso, precisamos lembrar que aconteceu em Mariana antes de Brumadinho. Mariana, na verdade, foi a verdadeira sirene de Brumadinho e que ninguém ouviu”, declarou Helena, referindo-se ao desastre anterior da Samarco (controlada pela Vale e BHP Billiton) em 2015.
Justiça lenta e reparação incompleta
Apesar de sete anos terem se passado, ainda não houve responsabilização criminal pelos mortos e pela destruição causada. Um processo tramita na Justiça mineira com 15 réus, mas Helena Taliberti lamenta a lentidão e a inadequação das reparações oferecidas às vítimas. “A Justiça não foi feita”, afirmou, enfatizando que a perda de casas, lavouras e animais não pode ser simplesmente “reparada”, pois a vida humana é insubstituível.
A ativista defende que a responsabilização dos envolvidos é crucial para evitar que novas tragédias semelhantes ocorram no Brasil. “A impunidade é a porta para acontecer de novo. E a gente não pode permitir que isso aconteça de novo”, concluiu.
Com informações da Agência Brasil / Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil







