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sábado, 5 de setembro de 2026

Laudo do Instituto de Criminalística de SP descarta suicídio de policial Gisele Alves Santana e aponta assassinato

Um laudo complementar do Instituto de Criminalística de São Paulo descarta a hipótese de suicídio da soldado da Polícia Militar (PM) Gisele Alves Santana e aponta que a morte da policial foi resultado da intervenção de uma segunda pessoa. O documento, assinado na última terça-feira (1º), contradiz a versão inicial de suicídio apresentada pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, ex-companheiro de Gisele e réu por feminicídio no caso.

Perícia aponta para assassinato

De acordo com o laudo, a análise do conjunto de manchas de sangue e outros elementos objetivos encontrados no local da morte de Gisele são incompatíveis com um evento suicida. A perícia concluiu que a hipótese de intervenção de uma segunda pessoa resistiu ao confronto com os elementos materiais examinados.

Gisele foi encontrada morta com um tiro na cabeça em 18 de fevereiro, no apartamento onde morava com o tenente-coronel. Ele acionou socorro e inicialmente relatou o caso como suicídio, mas o registro foi posteriormente alterado para morte suspeita. A família da vítima sempre contestou a versão de suicídio.

Advogado da família comemora resultado

O advogado da família de Gisele, José Miguel Silva Junior, declarou à Agência Brasil que o resultado do laudo complementar não é uma surpresa, visto que perícias anteriores já descartavam o suicídio. “Desde o início, nós sempre trabalhamos com essa vertente [de feminicídio]. Os outros laudos, eles são patentes também de que a Gisele não cometeu suicídio”, afirmou.

Silva Junior ressaltou que a perita, em depoimento, já havia deixado claro que Gisele não teria condições de cometer suicídio. Ele também mencionou que a defesa do acusado insistiu em questionamentos que, segundo ele, apenas corroboram as evidências já presentes nos autos, isolando a negativa do réu.

Próximos passos da investigação

Uma nova audiência do caso está marcada para a próxima terça-feira (8), quando o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto deverá ser interrogado. Ele foi preso um mês após o crime e segue detido no Presídio Militar Romão Gomes.

Evidências que apontam para feminicídio

Laudos necroscópicos iniciais do Instituto Médico Legal (IML) já indicavam lesões contundentes no rosto e pescoço de Gisele, compatíveis com agressão por unhas. Uma testemunha vizinha relatou ter ouvido o disparo às 7h28 e o acionamento do Copom pelo réu às 7h57, quase meia hora depois. O advogado da família também destacou uma foto da vítima com a arma na mão tirada por socorristas, considerada incomum em casos de suicídio, e o fato de três policiais mulheres terem ido ao apartamento para limpeza horas após o ocorrido.

Com informações da Agência Brasil