
Em Brasília, um grupo de jovens encontrou na confecção dos tapetes de Corpus Christi uma forma de celebrar a fé, a amizade e, principalmente, a conexão humana real. Longe das telas de celulares e da inteligência artificial, os participantes buscam fortalecer laços e reduzir o sentimento de solidão.
Amizade e fé lado a lado
Vitória Nunes, 18 anos, estudante e coordenadora do grupo jovem da Paróquia de São José, destaca a importância desses encontros. “Os encontros ficam mais verdadeiros do que na internet”, afirmou. A atividade, que envolveu a criação de 27 tapetes na Esplanada dos Ministérios, reuniu adolescentes e jovens adultos de diversas regiões da capital.
A comunidade de Vitória, que passou por processos de reintegração de posse, viu um aumento no número de jovens buscando apoio na igreja. A estudante ressalta que o apoio familiar é fundamental para que eles participem dessas atividades, que ajudam a reduzir sintomas de depressão e solidão.
Um “jejum” de telas e a arte feita à mão
Durante a confecção dos tapetes, a regra era clara: nada de celular, nada de inteligência artificial. Desenhos feitos inteiramente à mão, com materiais como areia, tinta, sal, palha e serragem, foram a tônica do evento. A iniciativa ecoa o recente posicionamento do papa Leão XIV sobre os riscos da inteligência artificial e a necessidade de regulamentação.
Luiza Helena Teixeira, 24 anos, que participa desde 2019, teve seu desenho escolhido para se transformar em tapete. “É muito bom ver todo mundo trabalhando junto”, comentou.
Inclusão e esperança em novas oportunidades
Um grupo de pessoas surdas também marcou presença na confecção dos tapetes, buscando mais inclusão. Márcio da Cruz, 36 anos, morador de Planaltina, expressou como essas atividades renovam seu ânimo. “Muitos jovens acabam ficando em casa e só no celular. Essas atividades para eles trazem novo ânimo”, disse, traduzido pela professora Daniele Galeno.
Vânia Lúcia da Cruz, mãe de Márcio, lamenta as poucas oportunidades de trabalho para jovens surdos, mas celebra a felicidade do filho e dos colegas ao se unirem em atividades como essa. “Quando eles se unem, ficam mais felizes, né?”.
Conectando gerações pela linguagem jovem
Mariana Abrantes, 23 anos, diretora do Movimento Escalada, enfatiza a importância de atrair os jovens para atividades religiosas e sociais, “falando a linguagem deles”. Para ela, cultivar amizades presencialmente e oferecer momentos de diversão com música e dança são essenciais para mantê-los engajados.
Com informações da Agência Brasil








