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terça-feira, 22 de setembro de 2026

IA e vídeos falsos emergem como maior ameaça à democracia, superando fake news tradicionais

A disseminação de desinformação, impulsionada por inteligências artificiais generativas e vídeos falsos como as deepfakes, já ultrapassou as fake news tradicionais como a principal ameaça à democracia. Especialistas do CGI.br destacam que esses conteúdos, cada vez mais realistas, têm o potencial de minar a confiança pública e influenciar o debate político de forma sem precedentes.

A Evolução da Desinformação

O relatório do CGI.br aponta que a desinformação tornou-se mais distribuída, circulando simultaneamente em diversas plataformas. O vídeo emergiu como o formato principal, frequentemente acompanhado de textos curtos que buscam legitimar narrativas falsas. Essa tendência já foi reconhecida por instituições como o Fórum Econômico Mundial, que em 2025 considerou a desinformação um dos maiores riscos globais.

O Papel Central da Internet

A internet consolidou-se como a principal mídia para informação, entretenimento e contato social, tornando-se um palco crucial para as disputas democráticas. Ferramentas de IA generativa, que já tiveram impacto nas eleições de 2022, devem se tornar ainda mais influentes este ano, aliadas a mecanismos de difusão direcionados a perfis específicos de usuários e a roteiros cada vez mais sofisticados.

“Hoje, as plataformas digitais ocupam um lugar central na forma como os brasileiros se informam sobre o que acontece no mundo, no país e nas cidades onde vivem”, afirma Renata Mielli, coordenadora do CGI.br. Ela ressalta que essas empresas privadas, orientadas por objetivos econômicos, não priorizam o interesse público. “Compreender como esses ambientes funcionam, como os conteúdos são distribuídos e quais impactos isso produz sobre o debate público é fundamental para fortalecer a integridade da informação e a própria democracia”, completa.

Deepfakes e o Desafio do Realismo

A preocupação com as deepfakes reside em seu realismo crescente, que pode enganar até eleitores experientes. Esse tipo de conteúdo tem o potencial de gerar desconfiança generalizada, afetando a credibilidade de informações verdadeiras. A perda de confiança em instituições como a imprensa e o Judiciário, somada à polarização política, agrava o cenário, permitindo que convicções pessoais se sobreponham à verificação de fatos.

O Impacto na Formação de Opinião

O clima de desconfiança leva ao consumo de conteúdos que confirmam crenças preexistentes, um fenômeno conhecido como racionalidade motivada. Informações que contrariam essas crenças tendem a ser descartadas, reforçando ideologias. O estudo do CGI.br, disponível em seu site, aborda o funcionamento de sistemas de recomendação, o impacto da IA generativa e discute mecanismos como deepfakes e modelos de linguagem, oferecendo diretrizes para o combate à desinformação e orientações para que o cidadão não se torne vítima nem propagador de conteúdos falsos.

Influenciadores Digitais e o Jornalismo

O estudo também analisa o papel dos influenciadores digitais, reconhecendo sua proeminência, mas alertando para a diferença fundamental em relação ao jornalismo. Diferentemente dos jornalistas, os influenciadores não seguem um código de ética estabelecido e não respondem institucionalmente pela veracidade de suas afirmações.

Com informações da Agência Brasil