
A última década foi a mais quente já registrada, confirmando um preocupante desequilíbrio energético da Terra, conforme divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (WMO). O relatório destaca que o aumento contínuo das concentrações de gases de efeito estufa, como dióxido de carbono e metano, tem levado a um acúmulo excessivo de calor no planeta, com consequências severas para os oceanos, o gelo e a atmosfera.
Desequilíbrio energético e o papel dos oceanos
O balanço energético da Terra, que mede a entrada e saída de energia solar, está desestabilizado. A energia solar recebida agora excede a quantidade de energia irradiada de volta para o espaço. Este desequilíbrio, que se intensificou nas últimas duas décadas, resulta em 91% do calor excedente sendo absorvido pelos oceanos.
Essa absorção massiva de calor provoca o aquecimento das águas oceânicas e acelera o derretimento das geleiras na Antártida e no Ártico, que consomem cerca de 3% do excesso de energia. O resultado direto é a elevação do nível médio do mar, que tem se acelerado desde 1993.
As alterações no aquecimento e no pH dos oceanos são consideradas irreversíveis em escalas de tempo de séculos a milênios. Em 2025, o calor armazenado nos oceanos atingiu o nível mais alto já registrado desde 1960, superando o recorde anterior de 2024.
Impactos globais e na saúde humana
O aquecimento dos oceanos e o derretimento do gelo impulsionam eventos climáticos extremos, como ondas de calor, incêndios florestais, secas, ciclones tropicais e inundações. Esses fenômenos causaram milhares de mortes, afetaram milhões de pessoas e geraram prejuízos econômicos bilionários em 2025.
A WMO alerta que as mudanças climáticas impactam diretamente a saúde, aumentando o risco de doenças transmitidas por vetores e pela água. O estresse relacionado ao calor afeta a saúde mental, especialmente em populações vulneráveis.
Além disso, mais de um terço da força de trabalho global, estimada em 1,2 bilhão de pessoas, enfrenta riscos de saúde relacionados ao calor no ambiente de trabalho, principalmente nos setores de agricultura e construção civil, com perdas de produtividade e meios de subsistência.
“Os avanços científicos aprimoraram nossa compreensão do desequilíbrio energético da Terra e da realidade que nosso planeta e nosso clima enfrentam atualmente”, afirmou Celeste Saulo, Secretária-Geral da WMO. Ela ressaltou que as atividades humanas estão comprometendo o equilíbrio natural, e as consequências serão sentidas por centenas ou milhares de anos.
A organização enfatiza a necessidade urgente de integrar dados meteorológicos e climáticos aos sistemas de saúde para a implementação de medidas preventivas, em vez de apenas ações reativas diante dos desastres climáticos.
Com informações da Agência Brasil







