
Um caso confirmado de sarampo em um bebê em São Paulo, que viajou com a família para a Bolívia em janeiro, onde o país vizinho enfrenta um surto da doença, acendeu um alerta sobre a importância da alta cobertura vacinal no Brasil. A imunização em massa é a principal barreira contra a circulação do vírus e a prevenção de surtos, mesmo com a importação de casos.
Cobertura vacinal abaixo do ideal
No ano passado, o Brasil registrou que 92,5% dos bebês receberam a primeira dose da vacina contra o sarampo. No entanto, apenas 77,9% completaram o esquema vacinal na idade correta, um índice considerado insuficiente para garantir a imunidade coletiva.
Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), ressalta a alta transmissibilidade do sarampo, especialmente entre não vacinados. “Basta ficar aqui, com tanta gente vindo de outros países onde há surto, que o risco é o mesmo”, afirma.
Proteção e recomendação da vacina
A vacina garante proteção para toda a vida. Para crianças e adultos sem comprovante de vacinação, a recomendação é: dos 5 aos 29 anos, são necessárias duas doses com intervalo de um mês; dos 30 aos 59 anos, apenas uma dose. Gestantes e imunocomprometidos não devem tomar a vacina.
O caso na bebê paulista foi o primeiro registro da doença no país em 2024. No ano passado, 38 infecções foram confirmadas, a maioria de origem importada. Apesar disso, o Brasil mantém o certificado de área livre da doença, concedido pela Organização Pan-Americana de Saúde em 2024, pois não há transmissão sustentada no território nacional. Contudo, o país já havia perdido esse certificado em 2019 após surtos iniciados por casos importados.
Alerta nas Américas
O continente americano vive uma situação preocupante com o sarampo. Em 2023, foram registrados 14.891 casos em 14 países, com 29 mortes. Já em 2024, até 5 de março, foram confirmadas 7.145 infecções, quase metade do total do ano anterior em apenas dois meses. México, Estados Unidos e Guatemala são os países mais afetados.
Kfouri enfatiza que a maioria dos casos ocorre em pessoas não vacinadas, principalmente crianças menores de 1 ano. Ele alerta que o sarampo não é uma doença inofensiva da infância, podendo causar óbitos e complicações graves como pneumonia e encefalite.
Os sintomas incluem manchas vermelhas, febre alta, tosse, coriza e irritação nos olhos. Além disso, a infecção pelo sarampo pode suprimir o sistema imunológico por até seis meses, aumentando a vulnerabilidade a outras infecções.
Com informações da Agência Brasil








