
As mortes por câncer colorretal no Brasil têm uma projeção alarmante de quase triplicar até 2030. Considerado o segundo tipo de câncer mais incidente e o terceiro mais mortal no país, o aumento está atrelado ao envelhecimento populacional e a hábitos de vida prejudiciais, segundo a pesquisadora Marianna Cancela. O consumo excessivo de ultraprocessados e a falta de atividade física são apontados como fatores de risco significativos, com um agravante: o início precoce desses hábitos, que leva a um aumento de casos em pacientes mais jovens.
Diagnóstico tardio e desafios no acesso à saúde
Um dos principais obstáculos no combate à doença é o diagnóstico tardio. Cerca de 65% dos casos só são identificados em estágios avançados, o que compromete a eficácia do tratamento. Isso ocorre tanto pela natureza da doença, que frequentemente não apresenta sintomas iniciais, quanto pelas dificuldades de acesso a assistência médica adequada, especialmente em regiões remotas e menos desenvolvidas do Brasil.
Para reverter esse cenário, pesquisadores defendem a redução das desigualdades no acesso à saúde e a implementação gradual de programas de rastreamento. A detecção precoce, por meio de exames preventivos que identifiquem a doença ou sinais de alerta antes do surgimento dos sintomas, é crucial. O diagnóstico precoce em casos sintomáticos e o tratamento adequado também são ressaltados como prioridades.
Custos sociais e econômicos da mortalidade
A mortalidade por câncer colorretal acarreta perdas significativas em termos de anos de vida e produtividade. Em média, mulheres brasileiras que falecem pela doença perdem 21 anos de vida, enquanto homens perdem 18. Entre 2001 e 2030, estima-se que 12,6 milhões de anos potenciais de vida serão perdidos, com um impacto econômico de Int$ 22,6 bilhões em perdas de produtividade. Esses dados, segundo Marianna Cancela, servem para dimensionar o problema para a sociedade e embasar políticas públicas voltadas para prevenção, rastreamento e tratamento.
Disparidades regionais e a necessidade de políticas públicas
A pesquisa aponta diferenças regionais importantes. As regiões Sul e Sudeste concentram a maior parte das mortes e, consequentemente, sofrem o maior impacto econômico. No entanto, o aumento relativo da mortalidade e da perda de produtividade deve ser mais acentuado nas regiões Norte e Nordeste. Fatores como indicadores socioeconômicos e de infraestrutura menos favoráveis, somados à adoção progressiva de padrões de comportamento nocivos, explicam essa tendência.
O padrão alimentar no Brasil tem se deteriorado, com menor consumo de alimentos saudáveis e maior ingestão de processados e ultraprocessados. Paralelamente, observa-se o aumento do consumo de álcool e da inatividade física. A promoção de estilos de vida saudáveis é um desafio contínuo para as políticas públicas, mas é fundamental na prevenção e controle do câncer colorretal e de outras doenças crônicas.
Com informações da Agência Brasil







