
Brasília foi designada como Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural, um reconhecimento que destaca a singularidade da cidade e seu papel nas discussões sobre a preservação e valorização do patrimônio cultural na região ibero-americana. A escolha impulsiona a participação da capital brasileira em discussões e iniciativas globais voltadas para a proteção de bens culturais.
Compromisso com a preservação
A escolha de Brasília como Capital Ibero-Americana de Patrimônio Cultural ocorre em um momento crucial para o intercâmbio de experiências e o desenvolvimento de estratégias conjuntas. O encontro que formaliza o título abordará eixos temáticos para dar continuidade às discussões iniciadas em Lima, no Peru, em 2025.
O objetivo do grupo de discussão é apresentar, ao final do evento, uma Carta de Compromisso comum. Esta carta visa consolidar os esforços em prol da preservação, valorização e gestão sustentável do patrimônio cultural entre as cidades participantes.
Rede de cidades e diversidade cultural
Brasília integra a União de Cidades Capitais Ibero-Americanas (UCCI), que congrega 29 cidades de 24 países ibero-americanos. A UCCI funciona como uma plataforma para cooperação urbana, intercâmbio de conhecimentos e disseminação de boas práticas, permitindo que as cidades compartilhem experiências e enfrentem desafios comuns.
Do Brasil, além de Brasília, São Paulo (SP) e Rio de Janeiro (RJ) também fazem parte do grupo. Somadas, essas cidades representam cerca de 76 milhões de habitantes que falam espanhol e português.
Valores culturais únicos de Brasília
Segundo a pesquisadora em arquitetura Angelina Nardelli Quaglia, da Universidade de Brasília (UnB), a capital federal oferece valores culturais únicos. “Brasília é uma capital reconhecida internacionalmente pela arquitetura e pelos processos culturais que aqui acontecem”, afirma.
A pesquisadora ressalta a diversidade cultural de Brasília como uma marca fundamental, resultado da confluência de influências de todo o país e que atravessa diferentes gerações. “Há uma paisagem cultural muito rica, que é a grande beleza de Brasília”, avalia.
A cidade também simboliza momentos importantes da democracia brasileira, como a luta pela liberdade, a Constituição de 1988 e a resistência após os ataques antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. “Eu entendo que é uma cidade à frente do tempo”, declara Quaglia.
Desafios na manutenção do patrimônio
Apesar de seu reconhecimento, Angelina Nardelli aponta desafios na manutenção do patrimônio de Brasília. Ela observa que, especialmente durante a ditadura militar (1964-1985), houve um “hiato muito grande de uma legislação” voltada para a preservação.
O cenário começou a mudar com o título de Patrimônio Mundial concedido pela Unesco em 1987, reconhecendo a memória da cidade. No entanto, a pesquisadora enfatiza que a manutenção do patrimônio em Brasília ainda enfrenta dificuldades.
Embora o Plano de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília (PPCUB) tenha sido aprovado há dois anos, Angelina Nardelli considera que são necessários mais recursos e políticas públicas eficazes para garantir o tombamento e a conservação adequados. “Em Brasília, isso devia ser um exemplo, mas ainda não é. A capital é uma cidade muito nova”, conclui.
Com informações da Agência Brasil







