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Associação alerta sobre riscos de segurança viária com nova CNH automática

A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) emitiu um alerta sobre os riscos à segurança viária decorrentes de recentes alterações nas regras de trânsito, especialmente a renovação automática da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Segundo a entidade, decisões administrativas que não consideram os limites biomecânicos do corpo humano podem aumentar significativamente o número de acidentes fatais.

Diretriz científica contra velocidade excessiva

A nova diretriz da Abramet, intitulada “Tolerância Humana a Impactos: implicações para a segurança viária”, baseia-se em dados científicos que demonstram a relação direta entre velocidade e gravidade de sinistros. Um pequeno aumento na velocidade permitida pode resultar em um acréscimo expressivo de mortes.

O documento reforça que a energia liberada em um impacto cresce exponencialmente com a velocidade, ultrapassando rapidamente a capacidade de absorção do corpo humano, especialmente para pedestres, ciclistas e motociclistas.

“A diretriz evidencia que não estamos lidando apenas com comportamento ou engenharia, mas com limites biológicos. Quando esses limites são ignorados, o resultado é o aumento de mortes e sequelas graves, mesmo em velocidades consideradas legais”, afirmou o presidente da Abramet, Antonio Meira Júnior.

Impacto de SUVs e veículos com frente elevada

A diretriz também aponta o aumento do risco de lesões fatais para pedestres e ciclistas associado à expansão de SUVs e veículos com frente elevada, mesmo em velocidades moderadas. Em colisões com usuários fora do veículo, a velocidade é responsável por cerca de 90% da energia transferida.

Dados do DataSUS indicam que pedestres, ciclistas e motociclistas representam mais de três quartos das internações hospitalares relacionadas ao trânsito, um cenário agravado pela combinação de alta velocidade, infraestrutura inadequada e baixa proteção física.

Renovação automática da CNH sob escrutínio

A Abramet considera “especialmente sensível” a questão da renovação automática da CNH, pois a aptidão para dirigir não é um estado permanente. Condições de saúde como envelhecimento, doenças neurológicas, cardiovasculares, distúrbios do sono e sequelas de traumatismos reduzem a tolerância a impactos e desacelerações, exigindo avaliação médica periódica.

O programa de renovação automática, regulamentado pela Medida Provisória 1327/2025, beneficiou mais de 323 mil condutores na primeira semana, gerando economia de R$ 226 milhões em taxas e exames. A maioria dos beneficiados são motoristas das categorias B (carros) e AB (carros e motos).

Motoristas com 70 anos ou mais, aqueles com CNH com validade reduzida por recomendação médica, ou com o documento vencido há mais de 30 dias, não se enquadram no processo automático e devem procurar os Detrans estaduais.

Recomendações para segurança viária

A Abramet recomenda a adoção de limites de velocidade compatíveis com a tolerância humana, políticas permanentes de gestão de velocidade e campanhas educativas. A entidade enfatiza que decisões sobre trânsito devem considerar dados epidemiológicos, biomecânicos e clínicos, e não apenas a fluidez ou conveniência administrativa.

Com informações da Agência Brasil