
A trajetória científica da professora Luisa Lina Villa, uma das maiores referências globais em pesquisas sobre o Papilomavírus Humano (HPV), foi celebrada pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Villa, coordenadora do Instituto HPV de São Paulo, é reconhecida por seus estudos pioneiros que ajudaram a compreender a relação do vírus com o câncer do colo do útero e outras infecções sexualmente transmissíveis.
Da curiosidade infantil à pesquisa internacional
A paixão pela ciência de Luisa Lina Villa começou cedo, impulsionada por uma curiosidade infantil em observar o mundo. Essa vocação a levou a se dedicar à carreira acadêmica e científica, culminando em uma linha de pesquisa consolidada no Instituto Ludwig de Pesquisas sobre o Câncer e, posteriormente, na Faculdade de Medicina da USP. Seus estudos focaram nos HPVs, vírus capazes de causar desde verrugas até cânceres em diversos sítios do corpo.
Contribuições para a vacinação e políticas públicas
Um dos marcos do trabalho de Villa foi a participação em pesquisas que comprovaram a segurança, imunogenicidade e eficácia das vacinas contra o HPV. “Um dos principais aspectos do meu trabalho que foram considerados para que eu alcançasse esse prêmio foram os estudos com o HPV e a participação nas pesquisas que demonstraram a segurança, a imunogenicidade e eficácia das vacinas contra o vírus”, destacou a professora.
As pesquisas do grupo de Villa foram fundamentais para entender a história natural das infecções por HPV em mulheres e homens. Descobriram que a persistência da infecção é o principal fator de risco para o desenvolvimento de tumores, especialmente no colo do útero. Estudos em homens revelaram taxas de infecção ainda mais elevadas e o risco aumentado de lesões no pênis, canal anal e orofaringe.
Esses achados científicos foram cruciais para a formulação de políticas públicas voltadas à prevenção. A compreensão da forma de transmissão e dos fatores de risco permitiu o desenvolvimento de estratégias como a vacinação profilática, hoje oferecida gratuitamente pelo SUS para crianças, adolescentes e grupos de risco.
O impacto da vacinação
A professora ressaltou o impacto positivo da vacinação em larga escala. “Essas vacinas, já aprovadas desde 2006 nos Estados Unidos e que começaram a ser administradas em meninas a partir de 2014 no Brasil, agora vêm ampliando a sua cobertura em todo o mundo. Isso tem levado a uma redução das infecções e doenças por HPV, inclusive de câncer de colo de útero em vários países e, no Brasil, isso também já começa a ser observado”, afirmou.
A 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher também homenageou outras cientistas de destaque em diferentes áreas do conhecimento.
Com informações da Agência Brasil







